O País do Carnaval, de Jorge Amado

Este é o primeiro romance de Jorge Amado, escrito quando ele tinha apenas dezoito anos. Publicado em 1931, faz um retrato crítico da imagem festiva e contraditória do Brasil, a partir do olhar do personagem Paulo Rigger, um brasileiro atormentado pela inquietação existencial que, após sete anos em Paris, regressa a um país com o qual não se identifica.

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Oculta, de Héctor Abad Faciolince

Do autor de Somos o Esquecimento que Seremos e Receitas de Amor para Mulheres Tristes
Oculta é a visão íntima e transgressora de uma sociedade pujante e tradicionalista que confirma Héctor Abad Faciolince como um dos maiores escritores latino-americanos dos nossos dias.

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A Cidade, de William Faulkner

No dia 28 de janeiro, a Livros do Brasil lança A Cidade, o segundo livro da trilogia Snopes, de William Faulkner, que se iniciara com A Aldeia e que terá o seu desfecho em A Mansão. Até agora inédito em Portugal, este é um romance repleto de humor, de desejo e de uma trágica aceitação do destino, onde Faulkner deixa espelhada a sua visão sobre a ganância destruidora que se apoderara do sul dos Estados Unidos no pós-Guerra Civil.

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Milagre, de Deborah Smith

Milagre é um dos livros de maior sucesso da escritora americana.
No dia 1 de fevereiro, chega às livrarias Milagre, um novo livro da escritora bestseller Deborah Smith, de quem a Porto Editora publicou já A Doçura da Chuva, Segredos do Passado e O Café do Amor, que obtiveram assinalável êxito junto dos leitores portugueses.

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Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas Que os Mereçam, de Helena Vasconcelos

Quando uma grande leitora se lança à escrita de um romance, fá-lo pela mão de Jane Austen.
Ema Bovary, Ana Karenina, Maria Luísa (prima de Basílio): mulheres criadas pela literatura que viram nos romances que protagonizam a sua vida corrompida pelo consumo de matéria literária. Também Ana Teresa DeWelt, a mulher do romance de Helena Vasconcelos, mergulha no universo da autora de Orgulho e Preconceito, enquanto em fundo está o retrato dos dias que correm entre Lisboa e Londres e outros lugares de Austen.

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Despertar consciências, salvar o mar

Luis Sepúlveda apresenta um manifesto sob a forma de romance em Mundo do Fim do Mundo.
A 28 de janeiro, a Porto Editora publica Mundo do Fim do Mundo, um romance de Luis Sepúlveda que aborda um tema universal e urgente: a caça ilegal de espécies protegidas.

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João de Melo vence Prémio Literário Vergílio Ferreira

O escritor João de Melo acaba de ser anunciado vencedor do Prémio Literário Vergílio Ferreira. Atribuído pela Universidade de Évoradesde 1997, o galardão distingue, anualmente, o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito do romance ou do ensaio.

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Em festivas cantigas de sol | Lídia Borges

 

 

por vezes percorro jardins de calcário

e sinto pena ao ver

as estátuas de pedra perecer

sem um gesto de libertação.

 

mas aquele menino talhado na rocha, não!

farto de urinar para a fonte abandonada,

numa certa madrugada, sem que se visse

que bicho lhe mordeu, no meio do nevoeiro,

desapareceu.

 

dizem que foi obra de um pássaro azul

que lhe meteu na cabeça asas

e lhe encheu de utopias o coração.

 

por vezes escrevo jardins de calcário

com céus de nuvens

e folhas de ulmeiro pelo chão.

por vezes, entre os canteiros,

passa lesto um menino nu

com um pássaro azul empoleirado

no oiro anelado de um caracol.

 

vão entretidos os dois

em festivas cantigas de sol

e conversas amenas

desentranhando das pedras

os mais estranhos poemas.

 

Lídia Borges

Estio à beira-frio | Maria Isabel Fidalgo

Sinto no frio da chuva
e no frémito do vento
o inverno chegado.
Um certo desalento
um certo desagrado
e uma paixão ao mesmo tempo.
É esta a hora
do crepitar da brasa
e do silêncio recolhido
no calor do livro.
É tempo de carpir
a árvore o corpo desnudado.
Mas se é despida a fêmea vegetal
cobre-se de folhagem
o chão
e a gélida paisagem
esquenta a emoção.
O vento geme nos beirais
e dos confins do céu
não há sinais de asas.
A chuva é cântaro
mas crepita o lume
e a mão espevita
lascivamente o livro.
A página levanta a saia
num sorriso de catraia
e faz-se estio à beira-frio.

Maria Isabel Fidalgo

Praça da Canção – 50 Anos

A Academia das Ciências de Lisboa comemora amanhã, quinta-feira, pelas 16h00, o cinquentenário da publicação do livro Praça da Canção, de Manuel Alegre. Para além do autor e do Presidente da Academia, Artur Anselmo, a sessão contará ainda com a presença deJosé Manuel Mendes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores.

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Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira

Exposições, conferências, ciclos, novas edições: as diversas iniciativas que assinalam o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira.

Vergílio Ferreira nasceu em Melo, concelho de Gouveia, distrito da Guarda, a 28 de janeiro de 1916. Para assinalar o centenário do nascimento de um dos mais importantes escritores portugueses do século XX terão lugar diversas iniciativas nos próximos meses.

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Citação | Realismo e Utopias | Gonçalo M. Tavares

“As utopias precisam de um anterior diagnóstico correcto e sensato. Por isso, talvez o realismo não se oponha por completo às utopias. Sem um bom realismo, sem um bom diagnóstico da realidade, não se poderá produzir uma boa utopia.”

Gonçalo M. Tavares

Corrida e Maratona

Guia Completo para Correr Mais e Melhor
Correr é uma atividade que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Para aqueles que pretendem iniciar-se na corrida ou intensificar os treinos, este livro será como que um ‘personal trainer’ pessoal. Trata-se de um guia completo, que tem por objetivo ajudar a transformar um novato nas corridas ou um atleta experiente num corredor mais eficiente e inteligente.

Corrida e Maratona – Guia Completo para Correr Mais e Melhor é o ‘companheiro’ perfeito para aqueles que praticam estas atividades. Este livro mostra que com a atitude certa, correr é imbatível para se ficar em forma, contribuindo para a saúde e o bem-estar em geral. Cada capítulo do livro aborda uma área diferente de conhecimento para qualquer pessoa que deseje lançar-se à estrada para a sua primeira corrida ou que pretenda atingir novos e melhores objetivos, até alcançar o auge do desempenho. Conhecer bem o corpo através de diagramas anatómicos por forma a correr melhor evitando lesões, exercícios para ganhar força e estabilidade, exemplos de programas de treino, análises biomecânicas dos movimentos da corrida, dicas e conselhos de especialistas a nível de nutrição e hidratação, planos de treino e ilustrações clínicas para aprender a identificar e recuperar de lesões são algumas das temáticas sobre as quais incidem este livro.

Tradução: Raquel Dutra Lopes
Formato: 19,5 x 23,2 cm
N.º de páginas: 192
Data de publicação: 15 de janeiro de 2016

Nota de Imprensa.

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Portugal é um país de escritores ricos | Alexandra Lucas Coelho in “Público”

1. Há quase 20 anos um poema de Nuno Moura dizia Portugal é um país de poetas ricos. Hoje podemos dizer mais, Portugal é um país de escritores ricos. Ao contrário dos alemães, que não têm onde cair mortos e são pagos sempre que vão fazer uma leitura para poderem continuar a escrever, ou dos pelintras dos ingleses, que em 2015 bateram o recorde de candidaturas a subsídios de escrita, os portugueses são tão ricos que não precisam de dinheiro para pesquisar um livro, nem para viver enquanto o escrevem. Entretanto, dão o seu tempo a câmaras, bibliotecas, festivais, centros e demais instituições cada vez mais envolvidas na promoção da literatura. Em suma, se os escritores portugueses já não precisavam de dinheiro, em 2016 também já não precisam de tempo. Superaram a fase da criação, estão em pleno criacionismo: o livro é um PDF de Deus, vem já revisto e tudo.

2. Eis a ficção que tende a enredar estes abastados imortais que cada vez mais não escrevem a futura literatura portuguesa. Há dois motivos para falar deles agora: primeiro, Portugal voltou a ter Ministério da Cultura, e se o actual Governo fez disso bandeira há que cobrá-la na prática, ver como lidará com a falta de meios e equipas exauridas; segundo, nunca em Portugal tantas câmaras, bibliotecas e instituições com orçamentos se envolveram tanto na promoção da literatura. O Ministério da Cultura pode, por exemplo, retomar de alguma forma as bolsas de criação literária. Câmaras, bibliotecas e instituições com orçamento podem apoiar a criação. E esses apoios devem coexistir com meios novos na Internet, porque não asseguram o mesmo, como explicarei adiante.

3. Começando pelas bolsas. Entre 1997 e 2002, o Ministério da Cultura atribuiu 12 bolsas anuais (poesia, narrativa, banda desenhada, dramaturgia) de 250 contos por mês (o equivalente hoje a 1250 euros, quando os preços eram bem mais baixos). Os júris variavam com os anos, e entre os contemplados contaram-se Al Berto, Armando Silva Carvalho, Maria Velho da Costa, Mário de Carvalho, Luísa Costa Gomes ou Almeida Faria; então desconhecidos como Gonçalo M. Tavares e Dulce Maria Cardoso; ou ainda Pedro Rosa Mendes, Mafalda Ivo Cruz, José Luís Peixoto, Paulo José Miranda, Adília Lopes, Nuno Moura, Rita Taborda Duarte, Carlos Luís Bessa, Filipe Abranches, José Carlos Fernandes, Inês Pedrosa. Quando as bolsas foram suspensas, era já possível contar uma grande maioria de projectos publicados nos três primeiros anos. Para dar ideia da diversidade de opiniões na altura, Inês Pedrosa propôs separar o concurso de estreantes e já publicados, Francisco José Viegas era contra bolsas para primeiras obras, Maria Velho da Costa privilegiava primeiras obras, e Vasco Graça Moura opunha-se a qualquer apoio estatal directo. Chegou a ser feito um novo regulamento em que primeiras obras não podiam concorrer e os escritores tinham de cumprir o prazo, senão devolviam o dinheiro, mas não avançou. De resto, o investimento do Ministério da Cultura na literatura foi diminuindo, mantendo-se só o apoio a alguns prémios e à tradução, com as ajudas à internacionalização a assentarem no Instituto Camões (Ministério dos Negócios Estrangeiros).

4. Entretanto, câmaras, bibliotecas e demais instituições multiplicaram iniciativas em que convidam escritores. Por vezes são festivais, por vezes programas ou séries, funcionários, moderadores, entrevistadores ou outros artistas recebem, mas não quem escreve. Presume-se sempre que o escritor está a divulgar os livros e a ganhar pela venda, mesmo quando lhe pedem que fale sobre outro tema, mesmo quando aparece meia dúzia de pessoas e ele não vende nada (e, quando vende, ganha dez por cento). O escritor é, assim, o pretexto de iniciativas que alimentam programações com assalariados e colaboradores, sendo ele o único a deslocar-se para dar o seu tempo e pensamento, quando não textos. Tudo a bem da literatura, mas certamente para mal da literatura que entretanto não está a ser escrita, e dizer isto não menospreza o contacto com os leitores. Para quem o faz com prazer ou por convicção, esse contacto é tão parte do trabalho como dar entrevistas, muitas vezes até um encorajamento ou reajuste. Mas não só o escritor tem o direito, por natureza ou convicção, de apenas escrever, como o prazer e convicção de quem divulga o que escreve não devem ser explorados até ao absurdo de inviabilizar a escrita. Todas estas iniciativas, sempre apertadas de orçamento, têm de buscar alternativas para remunerar o escritor. E as instituições que as programam poderiam pensar em residências, workshops, comunidades de leitores, subsídios, tudo ajudas à criação, através de trabalho pago, de tempo e espaço, ou simplesmente de dinheiro. Uma ressalva: festivais remunerados podem beneficiar leitores e indirectamente a criação, mas os escritores não são malabaristas do sinal vermelho. O escritor escreve; os convites para falar devem partir do seu trabalho; e só ele pode decidir falar de replicantes ou do exílio de Cavaco Silva.

5. Escrever um livro leva meses, anos. Há quem tenha, de facto, livros na cabeça mas entre sustentar casa, filhos e trabalhar no que paga tudo isso, acabe por nunca os escrever (sobretudo mulheres, não tenho espaço agora, mas é todo um tema). E mesmo que roube um par de horas à madrugada não fará esses livros se eles precisarem de pesquisas longas, bibliografia, viagens. Escrever um romance pode custar milhares de euros, e a esmagadora maioria dos escritores portugueses não tem adiantamentos (não sou adepta, mas há quem os ache úteis). Isso também determina a amplitude de livros que uma literatura tem, ou não. No cinema, há apoios para a escrita de argumento, na academia há bolsas para teses, mas em Portugal não há um único fundo regular, sem limite de idade ou âmbito, para escrita de poesia, romance, não-ficção literária, dramaturgia, banda desenhada.

6. Hoje existem meios como a Unbound ou a Kickstarter, plataformas decrowdfunding para criação ou edições que os leitores viabilizam. Umcrowdfunding viabilizou o trabalho fotográfico do Condor, de João Pina, em vários países da América Latina (não a edição). Estes e outros meios permitirão não apenas livros clássicos como formas novas. Mas nada disto, acredito, exclui a necessidade de apoios institucionais à criação. No Reino Unido, onde as plataformas online são vibrantes (pagando livros e revistas como The White Review, que por sua vez dá trabalho a escritores e organiza encontros), a Sociedade de Autores gasta por ano 100 mil libras em fundos para escrita, mais bolsas de 2000 libras para sócios, e no ano passado bateu o seu recorde de pedidos, incluindo escritores estabelecidos. Ou seja, sim, há cada vez mais meios para viabilizar livros, mas os autores, mesmo com obra, ganham cada vez menos. Para além disso, o apelo junto dos leitores, à partida, não pode ser critério único para um livro existir. É bom que leitores viabilizem livros, mas também será bom que livros que não sabiam o que iam ser, que não eram sequer “projectos”, muito menos “apelativos”, possam existir, porque houve tempo para o escritor chegar a eles, e isso, sim, será a riqueza de uma cultura. O que quem está no Governo, nas câmaras e por aí fora tem de pensar, creio, é se quer ter ainda algum papel nisso, o fortalecimento de um país pela criação.

Texto corrigido às 13h08


Alexandra Lucas Coelho
in Jornal Público 03-01-2016

https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/portugal-e-um-pais-de-escritores-ricos-1718866?page=-1

Natal menina | maria isabel fidalgo

 

 

Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia
puro dia
tão leve
como a noite
que crescia
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e nas luzes que piscavam
no pinheirinho enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.
Era no tempo dos meus pais…
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
junto à vaca e ao burrinho
e no olhar de sua mãe
(como a minha ela Maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.
Era no tempo em que havia pai natal
que tudo em mim era inteiro
junto ao presépio encantado
em que eu era a cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.

maria isabel fidalgo

Soneto de Natal | Domingos da Mota

 

 

Dissesse do Natal o muito que
se olha sem se ver, aquando e onde
o outro é transparente, como se
fosse um corpo invisível que se esconde,

alheio à roda-viva de quem estuga
o passo pra atingir o desejado
prazer de abraçar a própria fuga,
desprezando os caídos a seu lado;

dissesse do Natal o que é banido,
varrido pra debaixo do tapete,
o muito que apesar de escondido,
não deixa de pungir, como um ferrete,

como são e serão os sem-abrigo,
com a sopa dos pobres, por presigo.

Domingos da Mota

[inédito]