1509 – A Batalha Naval de Diu

«Como, à revelia de D. Manuel I, o vice-rei D. Francisco de Almeida, vingando a morte do filho, ganhou a batalha mais importante dos Descobrimentos.»

A sessão de lançamento do livro de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas terá lugar na Livraria Ferin, no dia 24 de Outubro pelas 19.00h.

 

Catarina Fonseca – Instalação para duas cadeiras e um bacalhau da Noruega ou Para que é que ainda serve um homem

Link de promoção ao mais recente livro de Catarina Fonseca «Instalação para duas cadeiras e um bacalhau da Noruega ou Para que é que ainda serve um homem». Trata-se de um conjunto de deliciosas crónicas em que o humor e a imaginação estão sempre presentes.

O livro está à sua espera nas livrarias.

 

Le meilleur moment de ma vie | Simone de Beauvoir

En 1947, Simone de Beauvoir écrit à son amour, l’écrivain américain Nelson Algren, et se souvient avec émotion de la Libération de Paris, de l’excitation fébrile qui régnait face à l’imminence de la libération, de la résistance intellectuelle qui ne faiblissait pas malgré la venue toute proche des Américains. Elle y raconte surtout en témoin privilégié la joie immense et le soulagement intense qui a saisi Paris avec l’arrivée des Alliés.

Mardi 25 novembre 1947

Mon Nelson, enfin je reçois la récompense du labeur et des peines : l’isolement d’une maison de campagne, sur ma table des roses blanches, autour de moi une masse de bons livres, et la perspective d’un mois entier sans rien d’autre à faire qu’écrire et lire – comme je me sens bien ! Plus d’amie russe, plus d’amie juive, plus de femme laide, de soeur, de beau-frère, plus d’auteurs de mauvais manuscrits, personne à voir, c’est merveilleux ! Après un bain chaud, j’ai dégusté plusieurs petits verres d’un violent alcool de pommes, je suis une vraie reine. Ma dernière journée parisienne, mi-bleue, mi-pluvieuse, mi-froide, mi-douce, n’a pas été désagréable, toute animée par le départ. Un taxi m’a joliment promenée jusqu’à une agence de presse (pour mon livre sur l’Amérique que j’aimerais illustrer de 20 ou 30 photos), il m’a déposée devant un grand immeuble où siègent plusieurs magazines et quotidiens, lequel m’a poétiquement remuée parce c’est là que la veille de la fuite des Allemands, les premiers journaux libres, ont été secrètement imprimés. Je me rappelle : Camus et ses jeunes amis travaillaient le fusil à portée de la main, les portes de fer closes, pas rassurés car à tout moment les Allemands pouvaient faire irruption, ça aurait fait un sale gâchis. Sartre et moi avions traversé Paris pour observer le déroulement des événements et en assurer le reportage, que nous avions remis à Camus, un léger et excitant sentiment de danger au coeur, car dans les rues par ci par là, ça tiraillait. Quand les Américains pénètrent dans Paris, quelle fête dans les bureaux ! Les journaux parurent au grand jour, tout le monde s’alcoolisait, fou de joie. En ce sens, ce fut le meilleur moment de ma vie ; si on considère la situation intérieure de la France, ça l’a été assurément, nous ne nous préoccupions pas de l’avenir, c’était si extraordinaire d’être libérés du passé immédiat ! J’ai remarqué que tous, nous nous souvenons avec nostalgie de ces derniers moments de l’Occupation, de l’ivresse ahurissante des débuts de la Libération. Je me la rappelais dans le matin bleu d’hier en retrouvant cet endroit. J’ai passé deux heures plaisantes à sélectionner des photos, Même dans cette riche collection, je n’ai pas trouvé exactement ce que je voulais. […]

C’est donc tous devoirs accomplis, et avec usure, que j’ai quitté Paris. […]

Pompas Fúnebres, de Eduardo Pitta

Este livro é um percurso pelo sofisticado universo cultural e social de Eduardo Pitta. Uma visão da nossa contemporaneidade reunida numa coletânea de crónicas multifacetadas. Testemunhos vivos, apesar do título provocatório, que nos conduzem através da literatura, do meio, da gastronomia, da crise e da falta de valores na gestão da coisa pública.

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Aula de Poesia, de Eduardo Pitta

Este livro reúne um conjunto de textos publicados na Revista Ler e no suplemento Mil Folhas do Público entre 1994 e 2008. Na nota prévia o autor define-o como um tour d’horizon da poesia portuguesa. O seu título, “Aula de Poesia”, remete para uma subtil provocação à doxa instalada. Uma irreverência amadurecida por uma vigilância mútua.

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Bienal do Livro de São Paulo

Sandro Sussuarana, Evanilson Alves e Alaíde Santana chagaram à capital paulista para lançar o livro “O diferencial da Favela: Poesias Quebradas de Quebrada” (Editora Galinha Pulando) e participar de saraus e encontros culturais na terra da garoa. No dia 24 de agosto, das 14 às 16 horas, o trio esteve no estande da União Brasileira de Escritores (UBE-SP), onde lançou o livro e deu a voz com recital de poemas do grupo e de autores que inspiram o Sarau da Onça como Sérgio Vaz e GOG. Aliás, Sandro e Sérgio Vaz, juntamente com Zezé Olukemi (ilustrador do livro da onça), estarão na Festa Literária da Chapada Diamantina, na Bahia, em setembro próximo.

A onça correu solta na cidade. Desde o dia 20 de agosto que os representantes do Sarau da Onça têm participado da cena cultural do sudeste e fazendo sucesso por onde passa. Ciceroneado por Vinícius Almeida, coordenador nacional do Conselho Nacional da Juventude – Conjuve e APN’s (Agentes de Pastoral Negro), Sandro, Evanilson e Alaíde foram ao Sarau da Cooperifa onde recitaram e se encontraram com Sérgio Vaz; depois, deram uma palinha junto com o Coletivo A Rua na Praça Roosevelt, durante o debate sobre “Ditadura Militar ontem e hoje e o Fim da Polícia”, fizeram intervenção poética no CEU Tiquatira, participaram da Caminhada Nacional contra a Violência e o Extermínio de Negros, na Avenida Paulista; na sexta-feira palestraram sobre a cena cultural periférica e o Sarau da Onça, com participação de Valdeck Almeida de Jesus e Rodrigo Ciríaco, no Centro Cultural da Penha, a convite de Ana Carolina.

E no meio do caminho, tinha um poeta, tinha um escritor, tinha um amigo, tinha um afeto. Em todas as encruzas sempre havia um abraço. Alan da Rosa, Édson Neres, Akins Kintê, GOG, Mel Duarte, e tantas outras estrelas da Constelação de Artistas da Palavra, em encontros na rua, na caminhada, no metrô; onde quer que a onça passasse era abraçada, acariciada, reconhecida e aplaudida. Se tem uma família que se respeita, acolhe a quem chega, supera tudo em nome do amor à arte, esta família se chama Sarau da Onça. Dessa vez, o pulo da onça foi da Sussuarana para a maior cidade do Brasil. É disso que estou falando!

http://galinhapulando.blogspot.com.br/2014/08/sarau-da-onca-e-grupo-agape-na-bienal.html

http://www.iteia.org.br/jornal/sarau-da-onca-e-grupo-agape-na-bienal-do-livro-de-sao-paulo-e-outras-quebradas

Para Sempre | Carlos Drummond de Andrade

Para SemprePor que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade | Lição de Coisas

O Amor é o Amor | Alexandre O’Neill

 

 

O amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?…

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

“O mundo é o que é e nada mais” | Jack Kerouac

(…) “O mundo é o que é e nada mais. É feito de mudanças e coisas transitórias. Visto numa perspectiva de longo prazo acaba por ser porreiro e não temos razões de queixa. (…)
Todos concordamos que não conseguimos acompanhar esta pedalada, que estamos cercados pela vida, que nunca a compreenderemos, de maneira que optamos por concentrá-la nos nossos corpos bebendo goles de whisky pelo gargalo da garrafa e quando esta fica vazia eu saio a correr do carro e vou comprar outra. Ponto parágrafo.”

JACK KEROUAC – 1922 – 1969 – em “BIG SUR” escrito e publicado em 1962

Walt Whitman (1819 – 1892) | Biografia

Walt Whitman (1819 – 1892) was an American poet, essayist and journalist. His work was controversial in its time, particularly his poetry collection Leaves of Grass.

Biografia

Walter “Walt” Whitman was born on May 31, 1819, near Huntington, Long Island, New York. His father–a farmer turned carpenter from whom Whitman acquired his freethinking intellectual and political attitudes–moved his wife and nine children to Brooklyn in 1823. The young Whitman attended public schools until the age of eleven, when he was apprenticed to a printer. In 1835 he became a journeyman printer and spent the next decade working as a compositor, freelance writer, editor, and itinerant schoolteacher. But Whitman’s fortunes changed in 1846 when he was named editor of the Brooklyn Eagle. However his ‘free soil’ political beliefs cost him the editorship of the conservative paper two years later. Following his dismissal, Whitman traveled to New Orleans, where he was briefly editor of the New Orleans Crescent. Upon his return north in June 1848, he frequented the opera and museums, dabbled in politics, and immersed himself in the life of the streets. Although Whitman had earlier affected the mien of a dandy, he now dressed as a ‘rough’ and became prominent among the bohemian element of New York. But the poems and stories he published in these years showed no hint of his future greatness.

The next five years (1850-1855), while outwardly undramatic, proved to be the most important period–intellectually and spiritually–in the life of Walt Whitman the poet. During this time he read avidly and kept a series of notebooks. Two novels by Georges Sand helped fix the direction of Whitman’s thinking. One was The Countess of Rudolstadt, which featured a wandering bard and prophet who expounded the new religion of Humanity. The other was The Journeyman Joiner, the story of a proletarian philosopher who works as a carpenter with his father but also devotes time to reading, giving advice on art, and freely sharing the affection of friends. But of course it was Ralph Waldo Emerson’s summons (in ‘The Poet’) for a great American muse to step forward and celebrate the emerging nation that was pivotal to Whitman’s future. On July 4, 1855, the first edition of Leaves of Grass, the volume of poems that for the next four decades would become his life’s work, was placed on sale. Although some critics treated the volume as a joke and others were outraged by its unprecedented mixture of mysticism and earthiness, the book attracted the attention of some of the finest literary intelligences. ‘I greet you at the beginning of a great career,’ Emerson wrote to Whitman. ‘I find incomparable things said incomparably well.’

The Civil War found Whitman working as an unofficial nurse to Northern and Southern soldiers in the army hospitals of Washington, D.C. His war poems appeared in Drum-Taps (1865) and were later incorporated into Leaves of Grass–as was ‘When Lilacs Last in the Dooryard Bloom,’ his elegy to the recently assassinated President Lincoln. After the war he became a clerk in the Indian Bureau of the Department of the Interior, from which he was shortly dismissed on the grounds that Leaves of Grass was an immoral book. (Whitman was soon reinstated in another government clerkship with the Department of Justice.) Despite such notoriety, his poetry slowly achieved a wide readership in America and in England, where he was praised by Swinburne and Tennyson. (D. H. Lawrence later referred to Whitman as the ‘greatest modern poet,’ and ‘the greatest of Americans.’

Whitman suffered a stroke in 1873 and was forced to retire to Camden, New Jersey, where he would spend the last twenty years of his life. There he continued to write poetry, and in 1881 the seventh edition of Leaves of Grass was published to generally favorable reviews. However, the book was soon banned in Boston on the grounds that it was ‘obscene literature.’ Whitman was in a precarious financial way in his remaining years, and such writers as Mark Twain, Henry James, and Robert Louis Stevenson contributed to his support. Rich admirers kept him supplied with oysters and champagne (he was fond of both). Whitman even received a visitation from Oscar Wilde, who later reported that ‘the good gray poet’ made no effort to conceal his homosexuality from him. (‘The kiss of Walt Whitman,’ Wilde said, ‘is still on my lips’)

In January 1892 the final ‘Death-bed Edition’ of Leaves of Grass appeared on sale, and Whitman’s life’s work was complete. He died two months later on the evening of March 26, 1892, and was buried four days afterward at Harleigh Cemetery in Camden. ‘Most of the great poets are impersonal,’ Whitman once wrote of Leaves of Grass. ‘I am personal. . . . In my poems, all revolves around, concentrates in, radiates from myself. I have but one central figure, the general human personality typified in myself. But my book compels, absolutely necessitates, every reader to transpose himself or herself into the central position, and become the living fountain, actor, experiencer himself or herself, of every page, every aspiration, every line.’

FONTE: https://www.facebook.com/WaltWhitmanAuthor/info

walt-whitman grande

MÃOS DADAS | Carlos Drummond de Andrade – ANTOLOGIA POÉTICA

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente. ”

Carlos Drummond de Andrade, ANTOLOGIA POÉTICA, 2000, editora Record

Cartas a um jovem escritor | Mario Vargas Llosa

Mais uma jóia para o pessoal de Letras: “Cartas a um jovem escritor”, de Mario Vargas Llosa (Arequipa, 28 de março de 1936), prêmio Nobel de Literatura 2010. Este é um ensaio epistolar com tom autobiográfico, Llosa nos conta como nascem os romances, fala sobre temas essenciais: o estilo, a persuasão, o espaço, o tempo do narrador, a ficção, a autenticidade, enfim, tudo o que envolve o trabalho de criação da narrativa. Só um detalhe: está em espanhol, mas isso não é problema, não é pessoal?! A edição é da Ariel, editora de Barcelona, Espanha.

Fernanda Jimenez

PDF aqui: http://img9.xooimage.com/files/8/9/b/vargas-llosa-mari…sta-pdf–2669103.pdf

FONTE: http://fernandajimenez.com/2014/08/17/pdf-gratis-cartas-a-um-jovem-escritor-de-mario-vargas-llosa/

O espelho | João Negreiros

Uma mulher tem que ser obrigatoriamente linda
Uma mulher só é linda se o for para ela e por dentro
Uma mulher deve criar para si um espelho benevolente para os dias maus e um espelho generoso para os dias bons
Um espelho nunca deverá ser um homem
Um espelho só poderá ser a própria mulher
Antigamente eu era mulher mas punha-me feia para que ninguém desconfiasse
Depois lá arranjei um espelho e agora ponho-me bonita todos os dias
Ponho-me bonita antes de me vestir e depois tudo me assenta bem
E quando me dispo tudo me cai bem
Uma vez um machista inteligente disse-me que eu não me comportava como uma mulher
Eu levei a mal e passei a comportar-me como uma
O que isto quis dizer é
Todos os dias olha para ti ao espelho e diz
Eu sou uma mulher e sou linda
Em seguida escolhe a roupa mais bela veste-a primeiro para ti e depois para os outros se for caso de haver gente nesse dia
Uma mulher tem que ser obrigatoriamente linda
As mulheres lindas são as que se acham
As mulheres lindas são um achado
Ama o teu corpo como se fosses a tua própria amante
Respeita quem és como só o amor consegue

texto d’ “O Manual da Felicidade” de João Negreiros
http://joaonegreiros.blogspot.pt/


João Negreiros nasceu em Matosinhos a 23 de Novembro de 1976. O escritor português foi o primeiro classificado no Prémio Internacional OFF FLIP de Literatura (2009). Em Portugal, entre outros prémios, João Negreiros venceu o Prémio de Poesia Nuno Júdice e o Prémio Dias de Melo com o seu primeiro romance intitulado “O sol Morreu aqui”. Na área do teatro, a sua obra foi crescendo, tendo hoje quatro peças editadas, “Silêncio” e “Os Vendilhões do Templo”, “O segundo do fim” e “Os de sempre”. No âmbito da poesia, publicou quatro livros: “o cheiro da sombra das flores”, “luto lento”, “a verdade dói e pode estar errada” e “o amor és tu”. Em 2010, é editado também o primeiro livro de prosa do autor “O mar que a gente faz”. Para além de escritor, João Negreiros é actor e tem divulgado a poesia nacional através de espectáculos e vídeos de spoken word. Em 2011, o artista foi o representante da Literatura Portuguesa na 7ª edição do conceituado Festival Internacional das Artes de Castela e Leão.