LÍDIA JORGE | Soledade Martinho Costa

 

 

À míngua da chuva
Que os não veste
Ao Sol se abandona
A flor e o fruto.

Só da cigarra vem
O som que despe
No calor que se abriga
Em seu reduto.

Assim eu te comparo
Artesã acolhida em teu recanto
Na frágil aparência que te cobre
A tecer a força das palavras
Que em nosso olhar se espelha
E se descobre.

Soledade Martinho Costa
Do livro a publicar «O Nome dos Poemas»

A SAUDADE SE ANINHOU NUM CANTINHO | Ercília Pollice

 

 

“Na minha vida uma saudade imensa vem chorar baixinho…no meu olhar um mundo  de tristeza veio se aninhar…”(Nana, canta e recanta)

Essa canção só pode ter sido feita pra mim. Mas palavras de amor ou situações de amor, são assim mesmo.Servem para todos os apaixonados.

Quando o dia fica frio e nublado, não há como driblar as saudades.

A memória nos prega peça, e quando no damos conta as cenas vêm e vão como flashs , e revivemos todos os detalhes, todos os suspiros, todos os gemidos, todos os ais.

E me volta de novo o último diálogo, nada diferente dos outros- “oi, como vai?” Bem, obrigada, e você?”.Também estou bem…Vamos falar um pouquinho, ou já está de saída.?

“Não poderei te dar  a atenção que gostaria, estou na empresa , e é um entra e sai da minha sala…”Ok. Bom trabalho, então.Perdeu a vontade de falar comigo?

“Não, quero que saiba que penso muito em você. Sinto muita saudades. E tenho muita vontade de te ver.”

Não vem por que?

“Tenho feito um esforço enorme pra resistir… mas não estou conseguindo…vou ter de te visitar”.

Por que não marcamos a semana que vem? “Por que não estará em sua casa esta semana?”

Minha netinha está comigo desde meu niver.Vai embora domingo. Vem almoçar comigo, faço sua com,ida predileta. “minha comida predileta é você! Querida tenho de sair, depois falamos.Um beijo com carinho.

Outro beijo pra você, me chame mais tarde.

“Tchau , querida!”

Faz 12 meses que isso se repete. Faz 12 meses, que não de vêem, e eu daqui do meu cantinho, feito um voyeur, percebo a angústia de ambos, e a saudade de ambos, e a vontade louca que ela tem de vê-lo de novo, aqui pertinho. Ela tem sonhado vezes demais com ele aqui abraçando-a, dizendo palavras de amor, beijando-a com aquele beijo que , diz ela; só ele sabe dar.

Ele dizer-lhe por skype ou telefone o quanto sente sua falta e o quanto pensa nela, e o quanto quer tê-la em seus braços outra vez.

Fico imaginando que o ser humano não foi feito para ser feliz. Não sabe aproveitar o momento que a vida lh oferece, como uma dádiva “dos deuses”.

O ser humano é deveras engraçado, e aqui entre nós, não posso entender as razões de alguém que quer seguir uma regra que não está escrita nem tem firma reconhecida em cartório algum.

O amor precisa ser vivenciado sempre que possível. Disse que ela deveria esquecê-lo que seria melhor pra todos. Contudo nestes 12 meses, não pararam de pensar um no outro.

Nestes mais de oito anos que se conhecem, cada dia esse sentimento foi ficando mais forte, creio mesmo que já nasceu forte. Se fosse dado a esoterismo, diria que estava escrito nas estrelas.

Sempre foi um entendimento sem muitos questionamentos. Era uma confiança mútua no que sentiam, que não havia cenas de ciúmes, nem brigas, nem desconfianças. A palavra lhes bastava. Amor de palavrinhas. Amor inteiro, incontido, declarado, escancarado.

Ele a dizer-lhe que com ela se sentia”em casa”,confortável, e que em suas fantasias de amor, só cabiam ela. Não havia sentido realizá-las com outra pessoa.

Ela a dizer-lhe, não me sinto- a vontade com ninguém como me sinto com você. “Idem,” respondeu ele, prontamente. Você é a única mulher que eu trato como a mulher amada e por quem tenho um tesão incontrolável”. Não foi bem assim que ele falou, mas vamos deixar desse jeito.

Ela sonhou uma noite dessas, que ele estava beijando-a, abraçando-a, e se tocavam e , ela podia sentir seu desejo todo pra ela e nela. Suas mãos a acariciar-lhe os seios, beijando-os , sugando-os até deixar marcas ,ela em brasa pediu que a penetrasse.

Na hora do amor, quando ele a penetrou, alguém entrou no quarto, ele deixou-a sozinha e correu atrás da outra pessoa. Foi uma dor de perda, e uma sensação de vazio… acordou.

Acho que esta mulher inteira, apaixonada, com tanto amor pra dar, precisa urgentemente ser amada com inteireza por alguém que não tenha medo de amar.

Ele como bom cartesiano, quer tudo bem certinho, arrumadinho, empilhado e configurado pra dar exato, como ema equação.

Mas a vida não é assim.

A vida é intempestiva, nos rouba momentos, e nos dá outros de presente. A vida age de maneira aleatória, e nunca saberemos que resultado teremos.

É como a canção do Chico: você pode passar um tempão “”cultivando a mais linda roseira que há. ,as, eis que, chega a roda viva e carrega a roseira pra lá…”

A gente não tem poder de mandar em nada, de escolher o fim de cada romance, ou o tempo de duração de uma grande paixão.

A gente é de aproveitar quando uma paixão acontece, e esquecer a palavrinha tempo.

Carpe Diem  Já dizia o sábio romano.O que temos em mãos é o agora. O passado são cheques descontados e o futuro são notas promissórias, nem sei se chegarão a ser descontadas.

Mas, não adianta. Os privilegiados no amor são os corajosos.Só eles vencem e chegam do outro lado. E não chegam porque são privilegiados, não, são privilegiados porque chegam.

Isto me faz lembrar uma canção que esta mulher apaixonada adora. Uma canção de Michel Le Grand” How do you keep the music playing , how do you make at least…How do you loose yourself on anyone, and never loose your ways…”

Traduzindo:” como fazer a música continuar tocando e continuar até o fim…e como se perder em outro sem se perder de você mesmo? “

Ele, o moço lindo, ainda não viveu o suficiente pra saber disso. Não teve perdas, não teve muitas escolhas a fazer Ana vida, não tem coragem de viver o hoje e mandar o resto às favas, porque ainda não sabe, que se você não mandar o resto às favas, o resto fará isto por você. E , nos finalmente tudo tem um fim, quer seja de um jeito, ou de outro.

Ela é mais corajosa. Já perdeu tanto, já teve de fazer tantas escolhas, já teve de se recomeçar tantas vezes, que já não sente medo de nada. Enfrenta tudo como uma tigresa a defender sua cria. Ela é uma guerreira e tem consciência disso.

Sempre diz a quem quiser ouvir: melhor um coração sangrando do que um coração vazio. Coração machucado cicatriza, mas coração vazio, não tem jeito.

O viver  nos ensina o valor de cada coisa. Para ela, mulher densa, intensa, apaixonada pela vida, ele é como um refúgio secreto. Adora repetir as palavras de Salomão em Cantares: “Eu sou do meu amado e  o meu amado é meu”.

Eu, alma vivida e velha de guerra, só observo; vejo-a banhar-se , com esmero, se enfeitar feito noiva em dia de casamento…unguento de mirra e óleos perfumados…gazela à espreita do seu amado, que pode chegar sem avisar.

Cada expectativa indo embora n final da tarde…

É como diz o versinho que sua mãe ensinou-lhe na infância: A felicidade no amor/ existe de quando em vez/ é como a quarta folhinha/ do trevo que só tem três!””

Pois é, meu lindinho, como ela diz: “você é meu doce mel, meu pedacinho do céu…”, e não é que a danada, aprendeu tocar violão só pra cantar seu amor em prosa e verso sem que ninguém ousasse desconfiar que tinha nome e endereço certos?

Dia desses, era seu aniversário , e entre os votos desejados ela fez um desejo dela. Escreveu pra ele, uma canção que Nana Caimi canta , canta e canta no CD de seu carro: “Onde você estiver, não se esqueça de mim…seja com quem estiver não se esqueça de mim…eu quero apenas estar em seu pensamento, e num momento pensar que você pensa em mim.”

Ela não se apercebeu, mas, o fato é que ao escrever estas palavras, ela já sabia em seu coração, que o único lugar que poderia ser dela , se aninhava no pensamento dele.

Lá ele podia ser romântico, sonhar, e viver com ousadia o que não soube viver na realidade.

Você, meu lindinho, queria dizer-lhe , ainda, se tivesse oportunidade, você quer tudo equacionado, certinho, empilhado, e trabalhado com logística e exatidão.

Mas a vida não é assim

A vida é a arte do improviso.É a arte do desencontro, mas também é a arte do encontro, muitas vezes, como foi o nosso.

Poderia dizer-lhe que o mundo dá voltas, sabe que seria um lugar comum, mas nem este lugar comum, ela pode dizer, pois o mundo pra ela, já não dará tantas voltas assim.

O tempo é inexorável e a eternidade não inclui este amor onde corpos se unem num só. Onde as almas se alegram e o os corações ficam felizes e em paz. Ah! A paz que vem depois do amor.

Nada se equipara. É inigualável!

Um dia, talvez , quem sabe, ele saberá tudo isso.

Um dia, quem sabe ele compreendará como foi tolo ,medroso, e ingênuo.

Ainda não sabe que um grande amor a gente nunca esquece. Nada substitui a pessoa amada , num coração que se deixou apaixonar. Não foi isso que ele lhe disse certa feita? Ela lhe perguntara assim à queima roupa: Eu já cantei em verso e prosa o lugar que você ocupa em minha vida , e eu, me diga, que sou eu pra você?

Ele,  sem hesitar: “Você é minha amada, antes de ser minha na cama. Ocupa meu coração quase inteiro, e é a única por quem eu tenho enorme tesão”

Uau,ela ficou sem fala. Uma coisa ele tem a seu favor: Nunca escondeu seus sentimentos. Sempre  os declarou abertamente. Eles se amavam sem regras e sem limitações.

A vida é um conto ligeiro. É como a fumaça que o vento espalha, é como a relva que o sol dissipa. Ela espera que ainda haja alguma lucidez insana, às avessas, porque à maneira que ele quer e deseja não dá.

Não se pode comer o bolo e guardar o bolo. TUDO . só no Aurélio.

A vida é feita de escolhas. Ele escolheu à sua maneira, como entende ser o certo. Quem somos nós para julgá-lo?

Ela sabe conviver com as desilusões e tenho certeza, ele sofre mais que ela, porque o conheço bem, assim como conheço a ela.

Essa mulher ama o amor. Os homens passam e vão deixando marcas que com o tempo vão se tornando indeléveis, embora as lembranças sejam marcadas a ferro, neste coração sempre aberto para o amor.

Um daí ele lhe disse: “Querida, com 90 anos, você ainda vai ser sexy”. Foi uma palavra linda, de muita sensibilidade e delicadeza. Ele é repleto de delicadezas.

Por isso, ela sente uma dor funda a apertar-lhe o peito. Dói, mas dói gostoso.

Porque sabe, tem certeza de que onde ele estiver, ela estará em seu pensamento…

Novo romance de Alice Brito

Lá prenderam o Viegas outra vez. Assim abre o mais recente romance de Alice Brito. Quem leu As Mulheres da Fonte Nova sabe que a realidade não pede licença para invadir, com toda a sua crueza, esta escrita. As primeiras linhas abrem com a normalidade possível, a normalidade como chaga social, feita de repressão e luta. Onde o nascimento de uma criança, um menino, nem chega a brilhar na vida daquelas gentes.

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O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral

Prémio LeYa 2014. A escrita de Afonso Reis Cabral dá corpo a uma narrativa coesa que culmina na fuga para o Tojal: o refúgio de infância, o regresso à pureza do mundo rural e dos tempos de descoberta. A brasa que afastada do fogo se acalma. O vislumbre do paraíso que abre o primeiro capítulo: Isto vai passar-se no Tojal. Mas, uma vez lá chegados, já tudo estava consumado.

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Elegia De Amor‏ | Maria Isabel Fidalgo

 

 

Sempre do chão me levantaste

e nas tuas mãos de oração

o terço por mim tanto gastaste

ó minha rosa de linho e de brancura!

Deste-me asas de tule e eu voei

libelinha das brisas inseguras

nos recantos dos frutos e do mar.

Chamo por ti no silêncio desta bruma

e o teu sorriso vem ainda quente

no silêncio do ventre inicial.

Peço-te o aperto dos teus braços

e tu as asas abres das alturas:

não chego lá, mãe!

Então por um milagre qualquer

que desconheço

me tomas do chão de novo

nas tuas mãos de berço.

 

maria isabel fidalgo in ” Antes de mim um Verso”

FIANDEIRA | Soledade Martinho Costa

 

 

Na manhã
Galopam cascos
De cavalos mansos.

Nas tuas mãos
Sepulto
O fuso.
Herança
Reflectida
No luto
Dos teus olhos.

Rés ao fio
Calosos
Os teus dedos
Ciciam
Antepassados
Jeitos.

Impune
Desço ao poço da memória.

Asas fechadas
De recurvos bicos
Há pássaros azuis
Pousados nos lambris.

Quem dera
A vara de condão
O príncipe da história.

Consciente
Rejeito em mim
O peso das palavras.

Só os Invernos
Passaram por aqui.

Soledade Martinho Costa

Do livro “Poemas do Sol e da Cal”
(Editorial Presença)

O SILÊNCIO DO CRESCIMENTO | Carlos Bondoso

 

 

se o final de cada verso
fosse o meu ultimo poema
certamente que essa não seria a razão
para te ter nos meus olhos
e te ler nas lágrimas que verto

amo-te como a terra ama
o orvalho das madrugadas
amo-te como a luz da manhã
ama o silêncio do crescimento

POR CFBB

Gnaisse, de Luís Carmelo

Gnaisse, o novo romance de Luís Carmelo.

Gnaisse é um livro absolutamente ímpar, de uma escrita tão madura na forma como intempestiva no tema e conteúdo, de uma arquitectura surpreendente, na qual cada adumbração tem um valor pelo menos igual ao objecto ou facto que visam dar a conhecer, em regime de sucessão de perspectivas, sem a monotonia da manutenção da identidade entre elas (mantém-se as coisas, mas o que são as coisas sem quem as veja). Valério Romão (retirado do face).

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MIL TONS DE BELEZA |

 

 

a bruma que se esfuma

pinta as cores da natureza

mil tons de encantos

mil cantos de certezas

 

são verdes os olhos

os pássaros os galhos

são trilhos e caminhos

o encanto dos teus ninhos

 

ao longe a tua figura

vestida na bruma

do verde te escondes

de branco vestida nua

 

POR CFBB

Abrir Abril‏ | Maria Isabel Fidalgo

 

 

Abrir de novo Abril
abrir com lírio
um novo abrir de Abril
abril sonhado
abrir de novo Abril
abrir em festa
abrir de novo Abril
já sepultado.
Abrir de novo Abril
abrir em rosa
abrir de novo Abril
túmulo caiado
abrir de novo Abril
abrir com círio
abrir de novo Abril
abrir em favo.
Abrir de novo Abril
abrir em asa
abrir de novo Abril
abrir de novo
abrir de novo Abril
abrir com cravo
abrir de Abril
Abril do povo.

Maria Isabel Fidalgo

Premiação dos vencedores do Concurso Jorge Amado de Literatura e mesa redonda | Valdeck Almeida de Jesus

 

 

Acontece no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, na Praça Thomé de Souza, dia 5 de maio de 2015, das 8:30 às 12:30h, encontro que comemora o 1º ano do Plano Municipal do Livro, da Leitura e da Biblioteca – PMLLB, cuja programação inclui a premiação dos vencedores do Concurso Jorge Amado de Literatura 2014, e uma Mesa Redonda que vai discutir A essencialidade da cultura do livro para a sociedade e subtemas: Literatura e tradição ou a invenção do novo; Democratização do acesso a equipamentos culturais como um indicador social; A leitura como elemento essencial de inclusão social; A valorização institucional da leitura; Literatura e representação da territorialidade; A biblioteca  e sua dinâmica.

 

O Plano Municipal do Livro, da Leitura e da  Biblioteca de Salvador – Decreto 24.590/2013 decorre da política nacional de cultura direcionada ao livro e a leitura expressa pelo Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL.

Ações  em prol do Livro da Leitura e da Biblioteca – ano 2014:

Prêmio Jorge Amado de Literatura em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação –  participação recorde de alunos da rede pública de ensino – 771 inscrições; tal fato evidencia o alcance pedagógico desta ação de  incentivo e valorização da produção literária dos educandos. Este concurso é, hoje, uma das maiores premiações literárias do país além de ser uma das mais  abrangentes  direcionada aos alunos da rede pública de ensino, envolvendo  as categorias poesia, conto, romance, dramaturgia- peça de teatro, histórias em quadrinho. Por categoria, foram premiados  três alunos, perfazendo um total de 15 jovens escritores que tiveram os seus textos literários distinguidos através do Prêmio Jorge Amado de Literatura.

Parada do Livro – 2014 –  evento pleno de sucesso realizado na cidade do Salvador em 24 de outubro de 2014. Ao todo foram 4. 638 livros doados na Parada do Livro 2014 para o público presente mediante a apresentação de voucher recebidos na área de recepção do evento. Neste evento de apenas um dia – 24 de outubro –  na Praça 2 de Julho, Campo Grande, o público de mais de seis mil pessoas teve acesso  aos escritores e às suas obras, havendo doação de todos os livros expostos. A presença de um público eclético composto por crianças, jovens, adultos e  idosos  dos mais diversos níveis de instrução deu a dimensão exata do leque de interesse que a Parada do Livro 2014 suscitou em todos.

Com mais de  seis mil visitantes, a Parada do Livro 2014  tornou-se um dos maiores eventos, já realizados no munícipio, com esse perfil, isto é, doação de livros nas seguintes  áreas temáticas: Literatura Infanto-Juvenil, Literatura Baiana, Literatura Nacional, Literatura da Cultura Popular; Literatura Internacional, Literatura Jurídica, Literatura Técnica e Científica, Literatura das Artes,  Literatura Ciências Humanas e Literatura para Vestibular.

Selo Literário João Ubaldo Ribeiro concurso promovido pela Fundação Gregório de Mattos, tendo o Plano Municipal do Livro, da Leitura e da Biblioteca participado, através de representação, da comissão julgadora deste concurso que se constitui como uma das principais ferramentas para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao campo da literatura no município do Salvador. Este concurso Selo Literário João Ubaldo Ribeiro objetiva incentivar a produção literária na cidade do Salvador, por meio da publicação de cinco obras inéditas dos gêneros Contos e Crônicas, Literatura Infantil, Dramaturgia, Poesia e Romance. Além disso, o selo visa a republicar uma obra literária de grande relevância e que não se encontra em circulação no mercado.

 

Fonte: http://pmllbssa.blogspot.com.br/2015/04/premio-jorge-amado-de-literatura.html

Sonata de Abril | Maria Isabel Fidalgo

 

 

Trago a poesia das searas
num anseio suspirado
pela luz de maio
do primeiro dia
e de um abril cantado
folar de cravo
sol em folia.
Emerge de novo a noite
dos passos senhoriais
e gemem as doces brisas
nos pinheirais.
Mas a voz será de canto
se alguém quiser
na arma duma criança
se cravo houver.

Maria Isabel Fidalgo – in «Antes de mim um verso».

EUGÉNIO DE ANDRADE | Soledade Martinho Costa

 

 

Na brancura das rosas
A tua solidão
O fel que macula os dias.

Nos teus olhos
Asas em voos de coragem
Beijos
Desejos
Tentação.

O teu labor preso na folha de papel
Como o sabor do mel sobre o pão.

Soledade Martinho Costa

Do livro a publicar «O Nome dos Poemas»

FASES DA LUA | Carlos Bondoso

 

 

quando a solidão me prende

chego-me a ti e na bruma esvoaço

bebo da tua boca madrugadas e sonhos

que me chegam líquidos e em silêncio

no vento queimo a passerelle

gasto os pés no verniz escravo do tempo

decanto as fases da lua

enquanto o Sol recolhe as primaveras

POR CFBB

Soneto da insanidade | Domingos da Mota

 

 

Como se trapos revelhos
os velhos, cujo saber
não é tido nos conselhos,
nas decisões de poder
desta gente obstinada
em maltratá-los sem dó
nem piedade de cada
vez que apertam o nó,
sem medir a crueldade,
impassível e perversa,
com laivos de insanidade
que lhes vira do avesso
os poucos dias que restam
pois sendo velhos, não prestam.

Domingos da Mota

[inédito]

Para dizer o indizível | Lídia Borges

 

 

Havia uma intenção madura

de traduzir a terra

escutar-lhe a correnteza da seiva

o despertar lento da semente

a obediência das raízes.

 

Para dizer o indizível

onde buscar as palavras?

Hoje

que o meu alfabeto

amanheceu ensimesmado

e foi sentar-se todo o dia

nas horas poentes

a remoer passados

a dobrar e a desdobrar saudades.

 

Hoje

a voz ficou-me só

para os silêncios.

«Lídia Borges (2011:p.16), “No Espanto das Mãos – O Verbo”

Palavras íntimas | Des Lettres

Pour fêter l’inauguration littéraire du Pavillon des Canaux, les éditions Le Robert et Des Lettres, en partenariat avec Sinny & Ooko, ont le plaisir de vous inviter le 23 avril, jour de la fête internationale du livre, à la naissance de la collection « Mots Intimes ».

La saga de l’amour vous sera dévoilée, en avant-première et en exclusivité : venez découvrir les plus belles lettres d’amour, érotiques et de rupture.

Le Pavillon sera pris dans la tempête amoureuse, assiégé par des comédiens espiègles, des actrices inouïes qui joueront la symphonie épistolaire de l’amour, truffée de pépites et de surprises. De Michel Ange à Marguerite Duras, en passant par Mozart, Edith Piaf, Flaubert et Mallarmé ou encore Marlon Brando et James Dean, les couples mythiques de notre histoire livrent leurs perles épistolaires et vous invitent aux sortilèges de la séduction, aux sommets de la passion amoureuse, jusqu’aux gouffres des ruptures les plus assassines!

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Lien vers l’événement Facebook : http://on.fb.me/1yvs3LX
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Jeudi 23 avril
19h
Entrée libre

Pavillon des Canaux
39 quai de Loire (en face du 86)
75019 Paris
Métro : Laumière, ligne 5

mots

XIII Parlamento Nacional de Escritores da Colombia abre inscrições | Valdeck Almeida de Jesus

Está aberta até 12 de junho, a convocatória para escritores e escritoras de qualquer parte do mundo participar do XIII Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia ou do Parlamento Jovem, organizados pela Associação de Escritores da Costa. O encontro acontece em Cartagena das Índias, de 11 a 15 de agosto de 2015, com vasta programação que inclui lançamentos de livros, recitais poéticos, leituras de trabalhos literários, bate papos, debates, além de almoços regados a muita alegría, poesia e literatura.  Na edição 2015 a presidência honorária do parlamento está sob os cuidados da escritora Guiomar Cuesta Escobar.

 

Autores que desejam participar do evento devem apresentar uma proposta de ensaio sobre um dos seguintes temas: obra poético-musical do Maestro José Benito Barros Palomino, influencia de “La Metamorfosis” na narrativa universal, análise da poesía de Giovanni Quessep Esguerra ou estudo sobre a narrativa de Andrés Elías Flórez Brum. Brasileiros podem apresentar trabalhos sobre a literatura do Brasil, obedecidas as regras de tamanho do texto contidas no blog abaixo informado. Para maiores informações, entrar em contato com o poeta e jornalista Valdeck Almeida de Jesus pelo e-mail poeta.baiano@gmail.com. A participação de estrangeiros está sob a coordenação do escritor Antonio Mora Vélez, na condição de Chanceler do Parlamento.

Os textos devem ser enviados de acordo com as regras contidas no formulário contido no link: http://parlamentodeescritores.blogspot.com/2015/02/xiii-parlamento-formulario-2015.html

 

Antes do encontro de agosto são realizados debates locais e estaduais na Colômbia, e Assembleias Preparatórias em Valledupar, coordenados pelo poeta Álvaro Maestre Castro, em homenagem ao poeta Luis Mizar; Puerto Colômbia, coordenada pela poeta Astrid Sofía Pedraza, em homenagem ao poeta Julio Flórez; Feira Internacional do Livro de Bogotá, coordenada por Marco A. García, gerente da Collage Editores, onde se apresentam livros de Antonio Mora Vélez, Juan Gutiérrez Magallanes, Joce Daniels e o Coletivo Bacachico Letrado de Montería; e em Sahagún, coordenada pelo poeta e pesquisador Julio Sierra Domínguez, em homenagem a Biblioteca Juana Domínguez.

 

O Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia atualmente tem delegados em 18 estados e doze países, e é o evento acadêmico e literário de maior qualidade, maior atração entre os intelectuais do país e que realiza a maior projeção de Cartagena para o mundo. Declarado como de “Interesse Cultural” pelo Conselho de Cultura do Distrito de Cartagena, é cofinanciado pelo Instituto de Patrimônio e Cultura de Cartagena, Ministério da Cultura, Câmara de Comércio de Montería, Corporação Universitária (CECAR), Clube União de Cartagena, Almacén La Finca de Magangue e apoio da Universidade de Cartagena, Universidade Jorge Tadeo Lozano, Collage Editores, Universidade UNICOLOMBO, Instituição Universitária de Artes e Ciências de Bolívar (UNIBAC), Instituição Tecnológica “Colégio Mayor de Bolívar”, Casa Museo “Rafael Nuñez”, Casa de Cultura de Cartagena e Restaurante Las Indias.

 

http://www.iteia.org.br/jornal/xiii-parlamento-nacional-de-escritores-da-colombia-abre-inscricoes

https://valdeck.wordpress.com/2015/04/09/xiii-parlamento-nacional-de-escritores-da-colombia-abre-inscricoes/

http://galinhapulando.blogspot.com.br/2015/03/xiii-parlamento-nacional-de-escritores.html

http://www.difundir.com.br/site/c_mostra_release.php?emp=1024&num_release=150921&ori=V