O escritor e o seu duplo | António Guerreiro in Jornal Público

Nas entrevistas, António Lobo Antunes apresenta-se como um escritor que vive dentro de si a experiência da co-naturalidade com o acto criador, recuperando ideias que hoje já não subsistem, nem sequer nos nossos mitos: as ideias de inspiração, de génio, de entusiasmo (no sentido grego de possessão pelo divino). A entrevista que lhe fez Isabel Lucas, publicada na última edição do Ípsilon, fornece matéria abundante para a análise desta mitologia. O discurso de António Lobo Antunes obriga-nos a uma metódica suspeita: lido em primeiro grau, em que o pressuposto é o de que ele acredita nas suas próprias palavras e se situa num registo de verdade, teríamos o mais ingénuo dos escritores; lido em segundo grau, em que o pressuposto é o da distância em relação às suas próprias palavras, teríamos o mais teatral e parodiante dos escritores, quando sobe ao palco das entrevistas. A segunda hipótese é muito mais interessante do que a primeira, e a mais verosímil. Seria um insulto ao escritor e à sua obra acreditar que ele acredita que “é o livro que se escreve a si mesmo” e que isso decorre de um mistério que ele formula desta maneira, ao responder a uma pergunta sobre o nascimento do livro agora publicado: “Não sei o que me passou pela cabeça.” Esse mistério, facilmente reconhecível por quem está familiarizado com os mitos românticos, é o do génio como potência criadora ex-nihilo, irredutível a todas as regras e impossível de analisar racionalmente. O génio romântico é considerado ou considera-se a si mesmo como fonte criadora, como um deus. É esta concepção teológica da criação literária — em que o escritor, possuído por um daimon, é um intermediário entre os homens e os deuses — que António Lobo Antunes reclama desde há muito tempo nas entrevistas. E reclama-o não apenas para si, mas para os escritores em geral, essas criaturas que “parece que têm contacto com outra instância qualquer”. Seríamos grosseiros, ou pelo menos ingénuos, se levássemos as suas palavras a sério e não as lêssemos como uma enorme paródia, retomada em cada entrevista, dissimulada na gravidade e no pathos que o autor coloca na sua representação do papel do escritor possuído pela genialidade, levado por uma escrita demoníaca, ditada por uma lei interior que alude ao que Hegel chamava “reino animal do espírito”. Daí este desejo: “Só gostava de viver mais uns tempos porque tenho mais uns livros dentro de mim.” Os livros estão “dentro de mim” como pura potência que só se transforma em acto por mediação dessa divindade tutelar a que os latinos chamavam o genius e que presidia ao nascimento do indivíduo. O genius é ao mesmo tempo uma figura de invocação, como são as musas, e uma aptidão superior do espírito (portanto, interior). E é precisamente porque os livros, “dentro de mim”, precisam de um grande intercessor, uma entidade que está fora e num plano superior, que um grande medo cresce: “Tenho um medo permanente de isto ter acabado.” “Isto” é o mistério da criação literária, o sem-nome da literatura quando ela é vista em chave teológica, como é o caso nesta paródia em muitos actos do génio e da criação que António Lobo Antunes encenou com suficiente verosimilhança para exaltar e confortar os que lêem as suas entrevistas segundo a hipótese do escritor ingénuo. Os outros, os que lhe descobrem as manhas teatrais para o resgatar generosamente da ingenuidade e da mistificação, teriam vontade de lhe recitar a lei pessoana do fingimento do poeta: “O poeta é um fingidor/ finge tao completamente…”.

FONTE: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-escritor-e-o-seu-duplo-1676023

Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada | Campolide, Lisboa

A Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada acontece todos os sábados, das 10H00 às 19H00, no Palácio de Laguares: Rua Professor Sousa da Câmara, nº 56, em Lisboa (Campolide, perto das Amoreiras).
Livros em primeira e segunda mão, peças raras de alfarrabista, livros de artista, edições de autor, fanzines, revistas literárias, livros que cruzam a poesia e banda desenhada…
A Feira tem ainda uma banca totalmente dedicada a autores africanos.
Existe também nesta feira uma banca de livros grátis, onde as pessoas podem entregar ou levar livros livremente.

Inês Ramos

feira 02

Subornos & favores | Domingos da Mota

 

Como é fétido o ar que se respira
e perpassa nos altos corredores
do poder que se expõe quando transpira
à mercê de subornos & favores;

como grassa a fatal epidemia
que atinge dos severos moralistas
aos inúmeros ratos, cada dia
mais pragmáticos, frios, calculistas.

E o surto letal da legionela
que ameaça infectar qualquer pessoa
que passe pelos sítios onde ela
pode ser um perigo, já que soa

que as leis, ao serviço dos mercados,
permitem o descuido dos cuidados.

Domingos da Mota

Templo | Maria Isabel Fidalgo

 

 

Ainda templo, mãe
a quente alegria
desse ventre
concha limpa
branco tempo
onde de rosas
teu odor
foi meu canto
e meu sustento.

Tenho água na saudade
e só não grito
para não acordar
o teu sono repousado
nesse cais estrelado
em que te habito.

maria isabel fidalgo

Citação | Nuno Camarneiro

Passamos demasiado tempo a fazer o mundo triste. Porque pequenos, porque merdosos, porque finitos e fracos. Cuspimos para o mesmo ar que respiramos, envenenamos dias e palavras, rimo-nos do que cai e empurramos o que não entendemos. Rasos, chãos, vis, homens.
Encolhemos as ideias até mais ninguém caber nelas – sou isto, penso isto, e não me peçam filosofias. Tudo o que vejo está para lá dos meus olhos, tudo o que importa para cá desta pele.
Homens cansados de serem homens, extintos por dentro, a morte antes de ser.

Darrell Kastin | The Conjurer and Other Azorean Tales

O escritor luso-americano Darrell Kastin (de descendência picoense e russa) acaba de vencer o 12th Annual USA Best Books Awards pelos seus maravilhosos contos de “The Conjurer and Other Azorean Tales”.

O grande romancista norte-americano Richard Zimler, numa nota de apreciação a The Conjurer & Other Azorean Tales, fala na “grandeza lírica e exuberantemente detalhada do mistério e da mitologia destes contos intimamente ligados à história única e à beleza natural dos Açores”. Sem dúvida. Algo mais acontece nestas páginas – uma visão sem igual da nossa vivência e sobrevivência, a sós, no meio do mais violento e, mesmo assim, carinhoso mar libertador.

ABRIR AS ASAS | Soledade Martinho Costa

O tempo teima
Em derramar sobre o meu corpo
As horas que se tornam dias.

Mas não rejeito o tempo
Rejeito, sim, o que me traz o tempo
O tempo que se desfaz no tempo
Sem que me traga a quietude que me ofereço.

Ata-me os braços
Tolhe-me o pensamento
E não tenho forma de alterar o tempo
O tempo que me prende e onde permaneço
O tempo ido
Perdida neste labirinto
Onde esqueci meu nome
E não me reconheço.

Só conheço a demora que se esconde
E adormece de mágoa em meus ouvidos
E a lágrima que nunca me obedece
Que desliza em minha face e não responde
Por saber o quanto sei o seu sentido.

Só conheço no poema que se despe
E que o meu punho escreve com firmeza
O pesar de não ser mais como era dantes
Um tempo feito de paz e comunhão
Onde brilhava a esperança sempre acesa.

Tempo de datas e nomes e surpresas
Feito de beijos e risos e abraços
Onde nasciam os sonhos e a certeza
De haver na mesa a frescura do pão
E na lareira o ciciar das brasas.

Porque o afecto era o elo, era a magia
Era tudo o que se tem e se deseja
Sem mácula, sem dano, sem agravo
A unir as mãos sob a ternura
Sem sombra ou amargura nas palavras.

Pudesse
Dentro de mim abrir as asas.

Soledade Martinho Costa

Do livro a publicar «Bragal»

Licínia Quitério, em Os Sítios

Quem te disse, meu amor de mar,
meu leão de maré, minha onda antiga,
meu cavalo marinho, minha espuma da noite,
minha flor afogada, meu cofre de ametista,
minha vertigem, minha corda bamba,
minha ponte, meu mirante, meu verso branco?
Quem te disse das mãos de cinza pela tarde,
do sal da boca pela manhã, dos olhos
nas esquinas, do cheiro a febre do outono,
das colheitas sempre por fazer, do vinho,
da cor do vinho, do doce vinho da paixão,
do espanto, do terror, da ira dos terramotos?
Quem te disse, meu amor, mentiu.
Verdade és tu e os teus sentidos,
os teus pressentimentos, os teus sonhos,
o teu olhar de fera ou o teu olhar de pomba,
o teu desejo em fonte ou o teu desejo em fogo,
O resto, os mundos saberão se aconteceu.

Licínia Quitério, em Os Sítios

Grande Guerra: o Corpo Expedicionário Português | Manuela Degerine

I/II

Houve 38.012 portugueses mortos, feridos, desaparecidos, incapacitados ou feitos prisioneiros na Grande Guerra e, muito para além deste número, quantas vidas, quantas famílias estilhaçadas… Portugal enviou tropas para Angola e Moçambique, o que facilmente podemos compreender, mais difícil de justificar é o envio de 55.164 homens para a Frente Ocidental – onde 2.086 foram mortos, 7.234 ficaram prisioneiros ou desapareceram e 5.354 sofreram ferimentos incapacitantes. O total de baixas foi de 14.674 homens, isto é, 26,6 % do total de efetivos .
Não sendo especialista da Grande Guerra, exponho aqui as conclusões de leituras que tenho feito. Eis – por ora – o meu ponto de vista…
1. A partir de janeiro de 1917 o governo português envia cerca de 55.000 combatentes para a Frente Ocidental, mas sem lhes garantir as condições mínimas de dignidade e humanidade asseguradas aos outros soldados europeus, não prevendo, por exemplo, uma verdadeira alternância na frente de combate. Por conseguinte os portugueses não foram – ao contrário dos alemães, franceses, ingleses, americanos – rendidos nas primeiras linhas… Durante oito meses! Cito o capitão Menezes Ferreira: “Oito meses de seguida pelos drenos gelados, pelas crateras e minas infectas destes enlameados terrenos das margens do Lys; oito meses de contínuas patrulhas na “Terra de Ninguém” suportando os “raids” inimigos, ataques de gazes, o enervamento diário das metralhadoras e morteiros” ; “perdidas todas as esperanças de ser rendido, não tendo outro remédio senão acamaradar com os ratos das trincheiras” . Evidentemente não acamaradam com os soldados ingleses; na sua profunda miséria, na sua condição degradada, os portugueses só podem “acamaradar com os ratos”.
2. O CEP (Corpo Expedicionário Português) não teve verdadeira instrução militar antes de partir porém, quando chegou a França, foi treinado pelo exército inglês.
3. Os soldados não levaram fardamento adequado ao clima e à guerra. Enquanto os oficiais, embora acomodados na retaguarda e num conforto incomparável com a vida nas primeiras linhas, podiam comprar equipamentos do exército inglês, como o capitão Menezes Ferreira refere, “adquirindo os bons impermeáveis, os sobretudos forrados de pele, os enormes butes de trincheira, luvas, cinturões” (Erich Maria Remarque também narra em “A oeste nada de novo” a vigilância de Müller para herdar as botas inglesas de um camarada que está a morrer: as alemãs são rijas e provocam bolhas. ), os soldados – ao ar livre dia e noite atrás dos “parapeitos” – tentavam sobreviver aos meses de chuva e às temperaturas negativas com o que lhes fora distribuído. Continuo a citar Menezes Ferreira: “enrolados nas suas mantas de maltezes” ; “as sentinelas, embuçadas nos seus “pelicos” alentejanos ou enroladas num lençol impermeável em guisa de “water-proof” . Por isso Menezes Ferreira insiste na tortura do frio: “soldados friorentos” ; “homens transidos de frio” Como se não bastasse: a cor das fardas era demasiado visível; o seu tamanho não correspondia à estatura média dos soldados; os pelicos também tornavam os portugueses ridículos perante ingleses e alemães (que lhes berrravam “Mé-mé”); e as botas deixavam passar a permanente humidade. Luís Alves de Fraga analisa as circunstâncias que obrigam os nossos soldados a roubar comida e roupa nos campos e casas abandonados. Conclui: “Pressente-se que eram a fome e o frio os maus conselheiros destes soldados” . O historiador sublinha que “as baixas por doenças de foro pulmonar foram de 804 militares, todas elas relacionáveis com as más condições de vida das tropas” .
4. O CEP foi disperso numa frente de combate demasiado vasta: 12 quilómetros.
5. Para além do que evidenciava quanto à “aliança” com a Grã-Bretanha, a subordinação do CEP ao 1° Exército Britânico não beneficiou os combatentes portugueses: pelo desprezo (e desconfiança) dos ingleses perante aquele Corpo exausto, desorganizado, desmoralizado, maltrapilho e mal preparado; pela incompreensão linguística; pelo regime alimentar: a “corned beef”, os “pickles” e a “compota de cascas de laranja” (amarga) são evocados com humor pelo capitão Menezes Ferreira em “João Ninguém – soldado na Grande Guerra”. No fim de contas os soldados não sentiam mais afinidades com os seus aliados do que com os seus inimigos; o que patenteava o absurdo de uma morte iminente. Morrer por que Pátria? A inglesa?… E os oficiais portugueses toleravam mal a subordinação aos ingleses.
Parte disto foi assinalado nos relatórios dos comandantes, contudo o governo não tomou as medidas necessárias; não havia meios humanos nem financeiros nem de transporte. Não seria contudo já assim quando Portugal entrara na guerra? Em contrapartida Afonso Costa e Bernardino Machado visitaram o Corpo Expedicionário Português de 8 a 25 de outubro de 1917, levaram abundante palavreado, as heróicas tradições, a glória dos bravos, o orgulho da Pátria… Mas os soldados foram mantidos na neve e nos bombardeamentos: sem roupa, sem descanso, sem auto-estima, sem alimentação adequada. Morreram pelos interesses (políticos) de quem os não respeitava.
(Continua)

Volúpia | Domingos da Mota

Sobre o fio da navalha
do comprazido arrepelo
desenrola-se a batalha,
a volúpia do duelo

na celebração dos corpos
desde a pele até ao osso,
poro a poro, desenvoltos
num viciante alvoroço,

retesados com a fúria
da tensão acumulada
sobre o dorso da luxúria
cuja febre exasperada

se arrebata na boca
do corpo que me treslouca.

Domingos da Mota

Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco” | Mário de Carvalho

A Direcção da Associação Portuguesa de Escritores convida os sócios para a cerimónia de entrega do Grande Prémio de Conto “Camilo Castelo Branco” ao autor Mário de Carvalho, galardoado pelo seu livro “A Liberdade de Pátio”, no próximo dia 25 de Novembro, pelas 19h15, no Palácio Galveias (Campo Pequeno).
A cerimónia presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Dr. Paulo Cunha, conta com a presença do Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Dr. José Manuel Mendes e do Porta-Voz, Dr. José António Gomes.

OUTRAS LÍNGUAS, OUTROS MUNDOS, SENTINDO O TEMPO A PASSAR… | Cristina Carvalho

Muito antes, mas mesmo muito antes de eu falar, de eu ser, de eu existir sequer no pensamento de alguém, antes de esse alguém ser alguém, no tempo infinito, no tempo dos tempos de todos os limbos outros homens pensaram, outros homens falaram. Eu sei.

Nas tardes muito quentes do mês de Agosto, quando tudo pára e a vida não tem fim embalada na moleza das sombras, quando a cabeça dormente pende com ternura no ombro duma árvore, nada mais há a fazer que não seja pensar. Assim, imaginai!, eu que já sou muitíssimo velha, que já deixei de ter idade para contar os anos que passam, que já vivi Verãos e Invernos antiquíssimos, que cheguei a viver numa época que não era época, em que nada existia à superfície da Terra, nem mesmo esses homens longínquos peludos e animalescos que, segundo eu aprendi, viviam numas grutas e se assemelhavam a grandes macacos, nem esses homens eu vi, nunca conheci ninguém vivo, um animalzinho mesmo pequeno, uma simples pegada, nada! A Terra no tempo de ninguém, numa das minhas vidas era só realmente uma terra, um imenso grão de terra, tão imenso que encobria a Lua e o Sol e nada mais era visível além duma atmosfera estranha, cinzenta e húmida, da sensação dum ar pesado e sonolento embora respirável e de eu própria, que sem saber porque sim nem porque não me encontrava ali sozinha sentindo o tempo a passar.

Nessa altura eu devia ser muito jovem, quase criança, porque hoje depois de tantos milhares, milhões de anos passados, lembro-me com dificuldade de certas coisas. Tenho reminiscências vagas. No entanto, há sítios, locais, situações que, sem eu ter consciência disso, me despertam lembranças nítidas.

Um dia, muito mais tarde, já eu era adulta, vi uma pessoa igual a mim. Se não era eu própria era um ser exactamente como eu. E à volta desse ser muitas coisas apareceram: o verde do chão, os tons azuis do céu, a água, a chama, a luz, os mares, os rios, a vida, objectos úteis, objectos inúteis, as alegrias, as desgraças, as casas, as cidades e pessoas, muitas pessoas e tudo, tudo o que hoje em dia compõe e agita o planeta.

Foi bastante difícil este meu crescimento, atravessei épocas diferentes, hábitos estranhíssimos, maneiras de falar esquisitas que eu não percebia, foi cansativo crescer, adaptar-me a questões incompreensíveis como o nascimento e a morte e sobretudo aprender a falar.

Enfim, dado que está provado que todos os homens e mulheres nasceram de mim, dado que está provado que sou a única responsável pelo nascimento, evolução e decadência desta Terra, vejam pois, meus distantes amigos, o peso que tenho suportado ao longo da minha interminável existência.

Estou cansada. Vivo nesta cidade rodeada de luzes artificiais e de botões que me facilitam a vida, de pequenos e grandes utensílios desinteressantes imaginados exclusivamente para meu proveito e uma vez que fui eu que tudo inventei, aborreço-me. Aborreço-me imenso. Cheguei a um ponto em que não desejo criar mais nada, desejo que tudo corra e se desenvolva à minha volta como se eu ainda fosse jovem, há milhões de anos. Um dos meus grandes prazeres, se querem saber, é modesto: apenas dormir!

Cheguei à conclusão que, no fundo, muito pouca coisa tem realmente importância, tudo passa, nada se passa, tudo acontece, tudo se desvanece mais cedo ou mais tarde. Eu quero é dormir tranquilamente. As palavras apoquentam-me. No tempo em que estou agora optei por viver no país Portugal e aprendi a falar português. Deu-me muito trabalho, comecei por articular as palavras com dificuldade; no princípio da aprendizagem dizia coisas engraçadas, às vezes imperceptíveis, mas fui treinando, fui ouvindo outras pessoas falar até que consegui falar bem e perceber perfeitamente tudo o que me diziam.

Hoje, deve ser por eu já ser muito velha, por ouvir mal, não percebo outra vez quase nada do que dizem. Foram introduzidos palavras novas, vocábulos extravagantes, sons de outras línguas, os meus filhos que são todos vós não se entendem comigo pois usam termos diferentes.

Tudo isto é complicado mas não tem importância nenhuma, nada tem grande importância, até mesmo a Internet que daqui a um escasso milhar de anos será apenas uma referência engraçada, curiosa, um pequeno apontamento útil ou inútil em determinada época da História da Humanidade.

Vou dormir. Deixar que outros tantos milhões de anos passem por cima de mim.

Veremos o que acontece.

CRISTINA CARVALHO

As intimidades do mundo | Manoel de Barros

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca

b) 0 modo como as violetas preparam o dia

para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas

vermelhas têm devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência

num fagote, tem salvação

e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega

mais ternura que um rio que flui entre 2

lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.

Etc.

etc.

etc.

Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

Manoel de Barros, «O Livro das Ignorãnças»

Poema de Mário Cesariny

É IMPORTANTE FODER

(no seguimento do pirete e em louvor do humor negro)
É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver.

O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d’ir urinar.

Isso eu o quis dizer naquele verso louco que tenho ao pé:
“O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é
”Verso que, como sempre, terá ficado por perceber (por mim até).

Também aquela do “outrora-agora” e do “ah poder ser tu sendo eu
” foi um bom trabalho.
Para continuar tudo co’a cara de caralho
Que todos já tinham e vão continuar a ter
Antes durante e depois de morrer.

Mário Cesariny

ENSAIO SOBRE A MORTE E OS VIVOS | Rui Sobral

Nada mata tanto quanto a morte daquele que vive em nós. Não há relatividade para a dor do que fica. Choroso. Perdido. Carregamos a existência do morto nas lembranças a pingar de sangue por cada vez que um gesto ou um toque, um som, nos leva a momentos de nostalgia. Sorrir passa a torna-se pecado. Sempre que esboçamos alegria na face, cai-nos a mágoa por “desrespeitar” aquele que deixou de viver por cá. O viver, para o que fica, torna-se indubitavelmente condicionado. Chega a dar vontade de arrancar as memórias que nos mantém cozidos. Cozidos. Cozidos – sem anestesia, com pontos de uma linha vermelha e ávida de secura. A morte não se limita a levar o corpo do morto. A morte encarrega-se de asfixiar o vivo.

Recto. Horizontal. O que vai, vai deitado e encharcado pelas lágrimas dos que deixa e pálido. Frio. Imaculadamente vestido e penteado. Esteticamente, vai bem acondicionado. Lá vai ele. Queimado ou enterrado? Missa longa? Curta? Flores. Sim ou não? Muitas ou poucas? Quem vai? Quem não aparece? A toilette deveria ter sido aquela? A fotografia. De agora ou mais antiga? Todo esse processo é penoso. Desde o choque ou desde a inevitabilidade aguardada, até ao adeus ao corpo, à presença física – mesmo que morta. Morrer é um desporto – disse um dia um guru. É um desporto radical, daqueles que, segundo a tendência mostra, todos acabam por participar. Dificilmente estaremos preparados. Muito menos os que ficam.

Depois vem a distribuição dos pertences do defunto. Abrem-se as gavetas – outrora pessoais e intransmissíveis. Cai uma lágrima. De rosto molhado, vasculham-se os bolsos das calças que ainda cheiram a vida. Dos casacos. Das camisas. Tudo é remetido ao assalto. Após o roubo, tudo é exposto a quem de direito. Àqueles mortos-vivos de faces iguais sentados à mesa, abalados, mas prontos para a partilha. Um ficam com fotografias, outros com aquele anel especial, outros guardam postais ou cartas ou demais coisas. Sim, coisas. Coisas de bem proporcional. Essa solene reunião, no fim, tem a morte sentada à mesa e ninguém está imune a ela.

Dias depois, a morte continua a saciar-se. Vem aquela missa em memória do enterrado, do queimado, enfim. Os, então, mortos-vivos – mais mortos que vivos, estão presentes para lembrar o adeus em missa solene ou algo parecido. Mais fundo vai ficando o punhal da morte na carne do vivo. Dizem-se coisas da praxe, chora-se mais um pouco – como se não bastassem as lágrimas deitadas nos últimos dias, e no final daquele pesar regressa-se a casa. Suspira-se. Ouvem-se coisas do género “finalmente acabou”. Mas nada acabou. É uma rasteira. A morte está no ínicio. Abram-se alas.

A vida encarrega-se de desmembrar dores que deveriam ser de outros. Não são. Tornam-se nossas. Daqueles que têm a cicatriz do adeus no olhar. Daqueles que jamais serão integralmente felizes. Daqueles que se sentirão traidores quando esboçarem o tal sorriso. A vida passa a ser uma montanha cinzenta e escorregadia. Estamos no pico. Estamos no topo. Só nos resta deslizar, escorregar. Por mais que demoremos a chegar ao vale no fundo dessa montanha, a memória do que nos deixou assombrará sempre os dias mais claros, mais alegres, mais felizes. A morte começa quando deixamos de ouvir a voz e de sentir o toque daquele que amamos. De tudo se sentirá falta. A morte pode ser longa, mas se ainda não começou, não tardará a deitar-se contigo na cama que será ainda mais fria.

Rui Sobral

NOITE ESCURA | Carlos Bondoso

no orvalho da noite não vejo os adornos
escondem-se nas praças

colunas de cimento suportam a vastidão do vazio
ficam as sombras de um navio
que se esmagam num cais desativado

sobram os guindastes
e as gruas nuas de luz

a noite é muito escura
só a quero olhar por dentro
para espreitar a sua nudez

POR CFBB

Na moenda da cidade grande | Adelto Gonçalves

I

Como bem sabe o sempre atento leitor, o bildungsroman, ou romance de formação, recupera a trajetória de um herói ou anti-herói, resgatando as experiências fundamentais que acabaram por moldar a sua personalidade até a maturidade. Ou seja: traumas da infância e da juventude, desajustes familiares, frustrações amorosas, sonhos que não se concretizaram, anseios ou idealizações políticas que nunca foram cumpridas ou traídas por aqueles dotados de ideias mais práticas e menos compromissos morais, dificuldades para enfrentar a realidade – tudo isso, de certo modo, passa quem, um dia, decide que não pode mais viver à barra da saia da mãe e do bolso do pai. E vai à luta.
O termo em alemão justifica-se porque, na verdade, o gênero nasce com Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, romance de Goethe (1749-1832), considerado o marco inicial do bildungsroman. Trata-se de um gênero que floresceu na Europa no século XIX e que teve outros expoentes como Balzac (1799-1850), Flaubert (1821-1880), Dostoievski (1821-1881) Marcel Proust (1871-1922), só para citar alguns.
No Brasil, não foram poucos os romances de formação. Pode-se citar O Ateneu (1888), de Raul Pompéia (1863-1895), e Meus verdes anos (1956), de José Lins do Rego (1901-1957), entre outros. Sem esquecer de Machado de Assis (1839-1908), que escreveu pelo menos três “contos de formação”: “Conto de escola”, de Várias histórias (1896), “O caso da vara”, de Páginas recolhidas (1899), e “Teoria do medalhão”, de Papéis avulsos (1882), cujos protagonistas são retratados em seu processo de crescimento e de formação.
Já “novela de formação” e ainda escrita a quatro mãos é um acontecimento raro não só na literatura de expressão portuguesa como na mundial. É o caso de Moenda de silêncios: encontros & desencantos na metrópole (São Paulo, Dobra Editorial, 2012), de Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga, que relata os desafios que dois personagens oriundos do interior de Minas Gerais enfrentam na cidade de São Paulo em seus verdes anos. É a história de Fabiano e Murillo que, procedente um de Cataguases e outro de Ituiutaba, por coincidência (ou não) as terras de origem dos dois autores, vão tentar a vida na grande e dura metrópole, conhecem-se num pensionato e tornam-se amigos. E conservam a amizade, mesmo quando já seguiram outro rumo e cada um já descobriu a mulher de sua vida e começa a constituir a sua própria família.

II
A recuperação do tempo perdido, à la Proust, também permite uma observação do estado catatônico da literatura hoje no Brasil, refém do interesse ganancioso de editores pouco comprometidos com a boa qualidade, já que não se fazem editores como José Olympio (1902-1990) e Ênio Silveira (1925-1996). “(…) o que temos aí é um “açougue fashion” com sua burrice memorável e sua falta de vergonha, porque o que conta é o retorno financeiro, a gulodice dos editores corrompendo tudo, a dolorosa falta de espanto (ou indulgência) da mídia e da crítica para esse fenômeno”, diz Fabiano, candidato a escritor, citando o poeta Marcelo Ariel (1968). E acrescenta: “O que conta é o lucro, disse Danília em certo momento. O povo lê autoajuda, esoterismo de butique, o lixo literário americano, em prejuízo de uma formação intelectual mais sólida. Escrevem o que todo mundo quer ouvir, sem que haja necessidade de deixar qualquer rastro de reflexão, questionamento ou inquietação”.
Mais adiante, observa: “Agora está aí a febre de angelologia, runas, adivinhações, terapias disso e daquilo, padres fazendo milagres, uma disseminação de um certo tipo de literatura e de religiões de encomenda, que nascem da noite para o dia com o fito de enganar e explorar os incautos, gente procurando nelas o sedativo para seus achaques íntimos”. Enfim, eis um retrato do Brasil dos últimos trinta anos, preocupado apenas em acumular lixo cultural alienígena e importar o que não presta, como diria o poeta, professor e ensaísta Cassiano Nunes (1921-2007), igualmente citado no livro.
Para quem tivera a oportunidade numa cidade pequena e bem organizada – e no Brasil de hoje ainda existem essas cidades – de fazer viagens solitárias e escondidas à biblioteca do ginásio, onde “escalava montanhas em busca de um everest de conhecimento e descobertas”, com quem falar sobre “Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Fagundes Varela, José Saramago, Borges, Cortázar e Dalton Trevisan naquela cidade, pequeno deserto de memórias esquecidas, cemitérios dos vivos?” Eis o drama de Murillo, que viera de Ituiutaba, e encontra em Fabiano com quem dividir a saudade da família e as angústias diante da nova fase na vida.

III

Por aqui se vê, como bem assinalou o autor do posfácio, o escritor e jornalista Emanuel Medeiros Vieira, que este livro não é só “uma história de formação nas vísceras da metrópole”, mas também uma homenagem e uma celebração da literatura, pois os autores (e personagens), embora tenham “plena consciência do mundo massificado – áspero, deserto de utopias e de compaixão – no qual vivem, e absolutamente mercantilizado, da hegemonia, do ter, do aparecer e do triunfo do individualismo”, ainda encontram tempo para discutir suas inquietações existenciais.
Para o poeta, ficcionista e crítico literário Rubens Shirassu Jr., autor do texto das “orelhas” do livro, esta novela significa também “a procura de uma dignidade”, pois “expõe os sonhos entrecortados pelas tentativas dos rapazes de vencer a batalha numa cidade toda feita contra eles”. E, acrescente-se, um exemplo a ser seguido por esses jovens que continuam a sair do interior do Brasil em busca de dias melhores em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, ainda que não carreguem na lembrança nenhum personagem ou verso de um daqueles autores citados por Murillo, mas um Harry Potter qualquer…

IV

Ronaldo Cagiano (1961) nasceu em Cataguases-MG, viveu de 1979 a 2007 em Brasília, onde se formou em Direito, e reside em São Paulo. Publicou Palavra engajada (1989), Colheita amarga & outras angústias (1990), Exílio (1990), Palavracesa (1994), O prazer da leitura (1997), em parceria com Jacinto Guerra, Prisma – literatura e outros temas (1997), Canção dentro da noite (1999), Espelho, espelho meu (2000),em parceria com Joilson Portocalvo, Dezembro indigesto (2001), vencedor do Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, Concerto para arranha-céus (2005), Dicionário de pequenas solidões (2006) e O sol das feridas (2011). Organizou as coletâneas Poetas mineiros em Brasília (2002), Antologia do conto brasiliense (2003) e Todas as gerações – o conto brasiliense contemporâneo (2006). Escreve com regularidade resenhas para o Diário da Manhã e Jornal Opção, de Goiânia, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, e Hoje em Dia, de Belo Horizonte, entre outros.
Whisner Fraga (1971), engenheiro mecânico, é mineiro de Ituiutaba, e autor de Seres & sombras (1997), Coreografia dos danados (2002), A cidade devolvida (2005), As espirais de outubro (2007), Abismo poente (2009), O livro da carne (2010) e Sol entre noites (2011). Publicou poesia e ficção em diversos jornais e revistas, entre os quais Correio Braziliense, Revista Cult, Revista E, Rascunho, Revista Brazzil, Revista Literatura e Iararana. Ultimamente, vem escrevendo resenhas para o Estado de Minas e Rascunho.

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MOENDA DE SILÊNCIOS – ENCONTROS & DESENCANTOS NA METRÓPOLE, de Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga. São Paulo: Dobra Editorial, 105 págs., R$ 30,00, 2012. Site: www.dobraeditorial.com.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003) e Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

OS ESCRITORES DE LITERATURA INFANTIL | Cristina Carvalho

Os escritores que dedicam as suas vidas a escrever para as crianças. Os escritores que percorrem um imaginário totalmente desconhecido , entretanto e aparentemente, tão próximo. Os escritores que já foram crianças. E cresceram. E continuam a querer desbravar um mundo ignorado, translúcido; um mundo a que, vulgarmente, poderemos chamar de “mágico” e que é feito de construção e de imaginação absolutamente enigmática. Um espaço que pertence apenas a um só. Um espaço de abrigo de gigantes – os adultos -, um apelo diário ao desconhecido, um transformar permanente de situações: as boas que se tornam más e as más que se tornam boas; um apelo em silêncio a qualquer palavra que mude a vida num momento. Apenas num momento.
Há um olhar muito inquietante do escritor de literatura infantil sobre o imenso planeta onde vivemos. Há o pressentir de visões de fantasmas longínquos, de cavernas, de homens animalescos; há as visitas aos sótãos e subterrâneos mais escondidos e indecifráveis das nossas primitivas e incendiárias memórias; há a grande escalada sempre em desequilíbrios nas volutas imprevistas dos nossos cérebros complexos.
A literatura infantil deve ser dos géneros mais difíceis. Porque escrever para crianças não é apenas desenhar aventuras complicadas e criar heróis, pequenos e grandes heróis. É isso e muito mais! É compreender, é entranhar-se profundamente num imaginário altamente complexo, é adivinhar as portas que se poderão abrir e as que nunca se abrirão; é deitar um olhar sincero, sem mágoas, sem intenção, de amor absolutamente incondicional pela criança em crescimento, pela sua inocente e desprotegida condição de ser crescente, de lua nova que um dia passará a lua cheia, cheia de luz!
Lembro-me, perfeitamente como se tivesse sido ontem, de muita angústia e do choro convulsivo que certas histórias infantis que eu ia lendo, me proporcionavam. Histórias classificadas como sendo clássicos para a infância.
Imagino que não seja possível poupar a delicadeza de um olhar infantil para certo texto. A condição de adulto desse escritor, de já conhecer e até ter experienciado certas situações bloqueará, certamente, o ato de poupar toda uma possível inquietação ao olhar de uma criança que começa a espreitar a leitura. É inevitável que não sucedam por exemplo, aventuras terríveis, descobertas impressionantes, até mesmo a morte. Então, como é que se poderia ou porque é que se deveria evitar a todo o custo essas sensações desagradáveis num espírito leitor tão novo? É impossível. Que espécie de história se escreveria senão se transportasse alguma realidade mesmo no reino da fantasia?
As personagens são sempre boas e más, horripilantes e belas, vaidosas e imperfeitas ou perfeitas – mas quando são perfeitas são inverosímeis. Algumas figuras, por exemplo, ou são fadas ou são bruxas, os são gigantes ou são anões deformados, ou são animais ferozes ou são cordeirinhos brancos; os ambientes ou são pobres ou são ricos, as crianças-personagens ou são felizes ou são muito infelizes, ou têm mães bondosas ou sinistras madrastas, ou comem doces ou passam fome; as casas onde vivem ou são barracas ou são palácios; os homens, ou são príncipes ou são ladrões; as mulheres ou são boas ou são pérfidas e traiçoeiras.
São estes o principais arquétipos da inteligência humana e sempre e sempre a luta entre o bem e o mal.
E, para não alongar mais este assunto que daria para anos e anos de variadas abordagens, termino com uma quase certeza: é a infância a região mais misteriosa e brilhante do homem, no seu princípio. É a infância a condutora inquietante das nossas vidas. Toda a literatura infantil, seja a mais clássica ou a mais atual, é bem vinda e inequívoca e absolutamente necessária.
VIVA A LITERATURA INFANTIL !

Cristina Carvalho

Crónica de Abril 2012