COMO SE FOSSE HERÓDES O MOTIVO | Soledade Martinho Costa

 

 

Que foi que aconteceu

Jesus?

Eu peço que me digas.

 

Se o meu olhar agora

É mais profundo

Se a minha esperança

É quase uma saudade

E se instalou o medo

Pelo Mundo.

 

Que foi que aconteceu

Jesus

Nesta Noite de Incenso

E liturgias?

 

Onde estão os pastores

E os seus afagos

Porque vestem de luto

Os Três Reis Magos

Que te oferecem no berço

As mãos vazias?

 

Que foi que aconteceu

Jesus?

Eu peço que me digas.

 

A razão desta angústia

Deste peso

Que em mim se fez punhal

E fez cativo.

 

Desta mágoa

Que me chega ao coração

Como se fosse Heródes o motivo.

 

Desta mágoa

Que me chega ao coração

Em línguas que não falo

Nem conheço.

 

Em línguas

Onde apenas reconheço

Em cada direito violado

Em cada morte

Em cada grito

O choro das crianças

Universal e aflito.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro a publicar «Um Piano ao Fim da Tarde»

Andréa Zamorano vence prémio Livro do Ano da revista Time Out

O romance A Casa das Rosas, de Andréa Zamorano, foi distinguido com o prémio Livro do Ano da revista Time Out. A cerimónia de entrega dos prémios, na sua 4ª edição, decorreu ontem no Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Teresa Veiga, com Gente Melancolicamente Louca, e Mário Cláudio, com Astronomia, eram os outros nomeados nesta categoria.

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Pilar del Río sobre a adaptação de Claraboia, pela Barraca

Tem início no próximo sábado (19) um ciclo de conversas sobre a adaptação do romance Claraboia, de José Saramago, feita pelo grupo teatral A Barraca. A primeira convidada é Pilar del Río, companheira do escritor e tradutora do livro para espanhol.

A adaptação, levada a cabo por esta Companhia, fundada em 1975, estreou no dia 10 de Dezembro, aniversário dos 17 anos da entrega do Prémio Nobel a José Saramago. Com dezassete atores em palco e um cenário que descreve com riqueza de pormenores os seis apartamentos de um edifício, o coletivo dirigido por Maria do Céu Guerra apresenta a sua leitura do romance escrito por José Saramago no começo dos anos 50 – e publicado em 2011, após a sua morte.

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Poema- Quietação‏ | Maria Isabel Fidalgo

É domingo e o sol escorre pelas paredes
lambe os cantos líquidos
apregoa a luz das aves
e a leveza do amanhecer.
Há uma quietação de luzeiro
sobre as margens da memória
e dos diminutivos do tempo
esse tempo de barcos vadios
nas fronhas da manhã.
Hoje sou menina na arca dos segredos
e caminho para o verão.
Hei de deitar-me na areia à tua espera
e repetirás as palavras de salvação
silentes nos olhos.
Hoje sou um rio de luas brancas
e vens pelas dunas de água
que te esperam .
maria isabel fidalgo

Epitáfio | Domingos da Mota

 

 

Ainda que a visão se não abrume

lá chegarás pois atingida a meta

a passagem dará para o negrume

negrume abrupto   essa luz secreta

 

que sendo luz abarcará as trevas

podendo transformar-se em fogo ou gelo

num punhado de cinzas sobre as ervas

ou no fio mortiço dum cabelo

 

apagamento    dispersão dos ossos

o corpo decomposto   a terra chã

anónimos os restos   os destroços

perdido para sempre o amanhã

 

o pó terroso   quase nada    aí

apenas antes ou depois de ti.

 

Domingos da Mota

[inédito]

Hamlet, de William Shakespeare

O clássico de William Shakespeare, traduzido por Sophia de Mello Breyner Andresen, foi encenado recentemente por Luis Miguel Cintra e publicado pela Assírio & Alvim.
No dia 1 de dezembro, às 18:30, no Teatro da Cornucópia, realiza-se a sessão de lançamento da nova edição de Hamlet, de William Shakespeare, na magnífica tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen, que a Assírio & Alvim acaba de publicar. O livro será apresentado por Maria Andresen, Maria Helena Serôdio e Luis Miguel Cintra, que prefacia esta edição e foi responsável pela sua recente encenação no Teatro da Cornucópia, recebida com grande sucesso. Nesta sessão serão ainda lidos fragmentos por atores do elenco que representou esta peça.

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Nostalgia | Soledade Martinho Costa

 

 

Ajuda-me, mãe
Não conheço estes caminhos
Estas ruas
Estas casas
Estas pessoas
Que se cruzam comigo
Estas vozes
Que chegam aos meus ouvidos.

Onde estou eu, mãe?
Ajuda-me a reencontrar
O local onde sempre vivi
A casa que envelheceu comigo
As paredes que ouviram
Há tanto tempo, mãe
O meu primeiro choro
No dia em que nasci.

Mas agora, mãe
Rodeada desta inquietação
Que me tolhe os passos
Agasalhada neste medo
Nem eu sei de quê
Prisioneira nos meus próprios braços
Que faço eu mãe?
Que faço eu aqui?

Aceitar o que não quero
Perdida neste deserto
Respirar o veneno
Que me invade as veias
Não me reconhecer ao ver-me ao espelho
Obrigada a dizer sim quando quero dizer não
Deitar ao vento os sonhos que sonhei
Estou cansada, mãe
Cansada deste meu cansaço
Desta luta desigual
Deste acordar em vão.

Onde estão as minhas bonecas, mãe
Os meus livros de histórias
A minha carteira da escola
A caixa dos meus bichos-da-seda
Os meus lápis de cor
Como foi que os perdi
Que tudo se perdeu de mim?
Ajuda-me a procurar as minhas coisas, mãe.

Está escuro, tudo está tão escuro
E eu sei que o Sol brilha lá fora
Porquê, mãe
Porquê esta escuridão
Porquê esta distância
Entre aquilo que fui e aquilo que sou
Entre o quente do meu sangue
E o frio nas minhas veias?

Ensina-me outra vez
As primeiras palavras, mãe
Ajuda-me a dar de novo os primeiros passos
Veste-me o vestido de veludo
Penteia-me outra vez os cabelos
Com o pente de prata
Põe-me o laço de seda branco
Preso nos meus caracóis
Tu sabes, mãe, tu podes
Já o fizeste tantas vezes, mãe.

Ajuda-me, dá-me a tua mão
Ensina-me o caminho a seguir
A que sombras me hei-de acolher, mãe?
Diz-me qual o mar de que me devo afastar
Para não molhar os meus pés de tempestade
Que sementes devo deitar à terra
Para que nasçam flores dentro do meu coração, mãe?

Ajuda-me a aceitar o que não quero
A ter por companhia quem não conheço
A beber a água salgada que me provoca sede
A comer o pão ázimo que não mata a minha fome
Ajuda-me a descansar, a dormir no teu colo
A olhar os teus olhos que não vejo onde
Ajuda-me a suportar a vida, mãe
Ajuda-me a suportar esta mágoa que me dói
Como fazias quando eu estava doente
E vinhas depor um beijo sobre a minha fronte.

Mas é tão tarde para ambas, mãe
Tão tarde, que a tua ajuda
Mesmo que ma pudesses dar chegava tarde
Tarde demais
Tão tarde, mãe, que não merecia a pena.

Na devida altura estarei a teu lado
Livre, leve, intemporal
A minha mão na tua, mãe
As duas como a sombra do voo de uma ave.

Soledade Martinho Costa

A Balada de Narayama | Domingos da Mota

 

 

(Narayama-Bushiko, Shohei Imamura, 1983)

 

O tempo urge. E a montanha além

já te vê com os olhos pedregosos;

se a quiseres subir, não tens ninguém

que te ponha no cimo. Sinuosos

são os trilhos perversos que ameaçam

do sopé da montanha até ao cume;

e os sinais abundantes espicaçam

quando mostram, além do azedume,

as mãos interesseiras que simulam

a manta mal dobrada atrás das costas,

enquanto, entre dentes, especulam

sobre o ónus da vida com que arrostas

e que aponta aos que atingem os setenta

o pico da montanha pardacenta.

 

Domingos da Mota

 

[inédito]

nenhuma manhã te leve ao engano | Lídia Borges

 

 

daquilo que passou nada te prenda

não tenhas pena do que foi

do que não foste. inútil todo o lamento.

sê breve agora

nos sonhos e nos desejos

para que te caibam no tempo

e no passo.

esse tempo de nadas

a sacudir das crinas a poesia

das manhãs claras

nenhuma manhã te leve

ao engano

que nos relógios toldados

do ocaso é tarde. É tarde

nos teus olhos febris

na tua boca seca

de tanta realidade.

 

Lídia Borges

Elegia de Outono‏ | Maria Isabel Fidalgo

 

 

As árvores estão perto das mãos
mas sem a carícia das folhas jacentes.
ânsias de gomos verdes
oblíquas tremem ao sol
sem nada que as cante
e no entanto
o cerne do poema está na terra
e no canto que silva dentro dela.

maria isabel fidalgo , in «antes de mim um verso»

LITERATURA INFANTIL – «VAMOS ADIVINHAR?» – UM NOVO LIVRO DE SOLEDADE MARTINHO COSTA

soledadeJá nas livrarias, com a chancela da Porto Editora, numa tiragem de 5.000 exemplares, trata-se de um livro/jogo, cujos textos, em verso, foram publicados pela primeira vez, repartidos por uma colecção de 6 livros. Até hoje, muitas foram as reedições. A chancela pertenceu sempre às Publicações Europa-América. Alguns dos textos foram agora actualizados e acrescentadas novas adivinhas, formando, a colecção, um único livro. No total, contamos com 63 textos, repartidos por adivinhas sobre profissões, animais e frutos, num livro pensado para estimular a criança na observação atenta da vida, e permitir um diálogo criativo entre o jovem leitor e os pais e educadores. Destinado a crianças até aos 10 anos, cartonado, profusamente ilustrado e concebido, graficamente, de maneira original, irá agradar, certamente, aos pequenos leitores – como tem agradado ao longo destes anos.

Soneto familiar | Domingos da Mota

 

 

Minhas duas irmãs éramos três,

minha mãe e meu pai éramos cinco.

Armando Pinheiro

 

Os meus catorze irmãos éramos quinze,

dezassete juntando a mãe e o pai.

Haverá quem aprove e quem ranzinze

e torça o nariz e até vaie

 

e vitupere a prole numerosa

e à medida que o tempo for passando

nem repare na via dolorosa

dos idos ao que vai continuando.

 

Meu pai e minha mãe já nos deixaram;

dos irmãos que me restam, conto cinco

e todos, a seu modo, porfiaram

e persistem ligados pelo vínculo

 

que alarga ou aperta – ajusta os laços

consoante  a premência dos seus passos.

 

Domingos da Mota

[inédito]

Gonçalo M. Tavares vence prémio ficção Tabula Rasa

Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, de Gonçalo M. Tavares, foi a escolha unânime do júri para o prémio ficção da primeira edição do Tabula Rasa, Festival Literário de Fátima.

A entrega dos prémios ocorrerá no último dia do Festival: 22 de Novembro, no Hotel de Santa Maria (Fátima), entre as 10h e as 13h.

Leia a recensão aqui.

Gonçalo_M_Tavares

A Mão Esquerda de Deus, de Pedro Almeida Vieira

De novo no mercado, em reedição da Planeta, aquele que é um dos mais importantes romances históricos sobre a Inquisição portuguesa já escritos.
Um autor que é considerado uma das mais importantes vozes literárias da sua geração e que é claramente uma das mais reconhecidas no campo do romance histórico.

Este livro é baseado na fábula, por muitos aceite como verdade histórica, do falsário andaluz Alonso Pérez de Saavedra, que através de bulas forjadas terá passado por núncio apostólico e instituído em 1539, durante o reinado de D. João III, o Tribunal da Santa Inquisição em Portugal.
Finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas, A Mão Esquerda de Deus é um romance poderoso e inesquecível sobre a verdade e a mentira, uma história de amor e culpa e uma viagem intemporal ao mais fundo da natureza humana, numa época em que impera a intolerância e a desumanidade.

Pedro Almeida Vieira nasceu em Coimbra em Novembro de 1969 e vive em Lisboa.
Licenciado em Engenharia Biofísica na Universidade de Évora, tem repartido a sua actividade pelo jornalismo, a investigação académica e a escrita. Entre outros periódicos, foi jornalista na revista Grande Reportagem
e no semanário Expresso.
Além de quatro ensaios na área ambiental, desde 2004 publicou ainda quatro romances (Nove Mil Passos, O Profeta do Castigo Divino, A Mão Esquerda de Deus e Corja Maldita) e os dois volumes de narrativas históricas Crime e Castigo no País dos Brandos Costumes. Em 2012 foi responsável pela redescoberta, fixação de texto e notas de O Estudante de Coimbra, o pioneiro romance moderno português, escrito em 1840-1841 por Guilherme Centazzi

(Nota de Imprensa da Planeta)

A mao esquerda PAM

Nuno Júdice vence prémio Tabula Rasa

Com o livro O Fruto da Gramática, publicado pela Dom Quixote em Setembro de 2014, Nuno Júdice acaba de ser anunciado vencedor do Prémio Tabula Rasa, na categoria de Poesia, instituído pelo Festival Literário de Fátima, cuja primeira edição teve hoje início.

O galardão será entregue ao poeta e ensaísta no último dia do referido festival, domingo, dia 22, no Hotel Santa Maria.

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A TRILOGIA DA NEBLINA, de Carlos Ruiz Zafón

A Trilogia da Neblina oferece ao leitor uma inigualável combinação de aventura, mistério e emoções, pela mão do
magistral narrador de A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón.
Este livro, em capa dura, com sobrecapa e com mais de 700 páginas, reúne os três primeiros livros de Zafón – O Príncipe da Neblina, O Palácio da Meia-Noite e Luzes de Setembro – que formam um ciclo de romances, misteriosos e fantasiosos.
Plenos de intriga e suspense, as três histórias confirmam um típico romancista onde se misturam elementos que vão desde a literatura fantástica e gótica à narrativa visual, tudo combinado com a grande força narrativa e estilo inconfundível do autor, que convida os leitores a entrar num excitante mundo de leitura e a desfrutar da magia das palavras.

Numa misteriosa casa na costa atlântica, longe de Londres e ameaçado pela guerra, Max vai descobrir que os desafios do presente, têm amiúde a sua razão de ser em pactos selados há muito tempo, onde habitam seres
como O Príncipe da Neblina.
Em Calcutá de 1932, um comboio em chamas atravessa a cidade e o círculo de amigos de Ben e Sheere enfrentará o mais terrível e mortífero enigma da cidade dos palácios, uma aventura em O Palácio da Meia-Noite, que mudará as suas vidas.
Entre Paris e um estranho farol da Normandia desenrola-se As Luzes de Setembro, onde Irene e Ismael se adentram no mistério de um fabricante de brinquedos que vive entre seres mecânicos e sombras do passado, entre os dois irão crescer laços que os vão unir para sempre.

Sobre o autor
Carlos Ruiz Zafón é um dos autores mais lidos e reconhecidos em todo o mundo.
Inicia a sua carreira literária em 1993 com O Príncipe da Neblina (Prémio Edebé), a que se seguem O Palácio da Meia-Noite, As Luzes de Setembro e Marina.
Em 2001 é publicado o seu primeiro grande romance, A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional.
Com O Jogo de Anjo (2008) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos, e com O Prisioneiro do Céu revisita os heróis de A Sombra do Vento.
As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes.

(Nota de Imprensa da Planeta)

A Trilogia JCZ

AS AVENTURAS DO JOVEM JULES VERNE

Mais um novo livro da série de aventuras protagonizadas por Jules Verne, enquanto jovem, e narradas pelo Capitão Nemo, um dos heróis dos seus romances, quando se tornou escritor.

Acompanhe o jovem Jules Verne e os seus amigos na incrível aventura que inspirou o famoso escritor a escrever, mais tarde, O Farol do Cabo do Mundo.

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A mulher da lama, de Joyce Carol Oates

A mulher da lama põe em confronto o pesadelo e a realidade, um passado tenebroso e o sucesso do presente. A Sextante Editora publica este novo romance de Joyce Carol Oates, uma das mais importantes e premiadas escritoras americanas da atualidade, com mais de 50 livros publicados.

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Mandalas e Outros Desenhos de Natal para Colorir

Colorir é uma terapia extremamente eficaz no combate à tristeza, à apatia ou ao stress. E permite equilibrar a mente, aumentar a concentração e favorecer o relaxamento.

Mandalas e Outros Desenhos de Natal para Colorir contém frases inspiradoras e belíssimas ilustrações com motivos natalícios que acabarão por se transformar em verdadeiras obras de arte.

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