A Sombra do Mar, de Armando Silva Carvalho

A Sombra do Mar é o novo livro de poesia de Armando Silva Carvalho, autor premiado com o Grande Prémio DST Literatura 2014 pelo seu livro anterior, De Amore (Assírio & Alvim). De Eugénio de Andrade a Fernando Pessoa, das perturbadoras imagens da atualidade vistas na televisão ao desencanto da velhice, do bosão de Higgs ao prazer da vida, este é um livro admirável de um dos grandes poetas do nosso tempo que a Assírio & Alvim publica a 9 de julho.

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A Viagem Vertical, de Enrique Vila-Matas

A Viagem Vertical que passa por Barcelona, Porto, Lisboa e Madeira.

Existe a viagem circular, a do regresso ao lugar de origem descrita na Odisseia. Mas existe também a viagem sem regresso, a odisseia retilínea e sem Ítaca que transforma um indivíduo que já não regressa a casa.

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Sem Coração, de Miguel Miranda

Sem Coração_PortoO mais recente livro de Miguel Miranda, Sem Coração, chegou às livrarias nacionais. O coração do rei D. Pedro IV, que nesta trama ocupa um papel até agora inédito, está guardado na igreja da Lapa no Porto, precisamente o local onde se realiza, este sábado, a primeira sessão de lançamento. A apresentação estará a cargo dos historiadores Francisco Ribeiro da Silva e Hélder Pacheco.

Na próxima quarta-feira, dia 8, em Lisboa, é António Sampaio da Nóvoa quem apresentará este livro. A sessão decorre pelas 19:00, no El Corte Inglés Lisboa.

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O GRANDE LIVRO DAS MANDALAS – para colorir

UM LIVRO APROPRIADO À DESCONTRACÇÃO, À LIBERTAÇÃO DAS TENSÕES QUOTIDIANAS E À ORGANIZAÇÃO DOS PENSAMENTOS.

Na tradição budista, as mandalas, enquanto símbolos representativos do Universo, são utilizadas como um método de meditação, em que o praticante foca a atenção nas suas formas e cores e a interioriza durante este processo de execução ou depois de o mesmo estar concluído.

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Teu corpo um temporal‏ | Maria Isabel Fidalgo

 

 

Escrevi amor no mapa do teu corpo
com a vagarosa bússola dos sentidos
escavei a ondulação do mar revolto
nas águas do teu porto desabrido.
Não fugi às intempéries
nem à devastação do litoral
desfraldei as velas no limiar do horizonte
e repousei os remos no fim do temporal.
E quando clareou a luz nas dunas
onde o areal extenso amornava
eu descobri nas pupilas dos teus olhos
o perfil abrasador das madrugadas.

maria isabel fidalgo

Lançamento de O Livro dos Camaleões, de José Eduardo Agualusa

Um ditador africano, muito respeitado em Portugal, escreve a sua biografia. Um famoso marinheiro maltês visita São Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa. Um antropólogo descobre-se nu e indefeso diante de uma mulher. Uma zebra persegue um escritor. Uma virgem perde a cabeça.

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LITERATURA EXPLICATIVA ensaios sobre Ruy Belo

Com organização a cargo de Manaíra Aires Athayde, o conjunto de ensaios coligidos em Literatura Explicativa reúne ensaístas e críticos, portugueses e brasileiros, em torno da obra de um dos mais importantes poetas portugueses do século xx. A multiplicidade da natureza dos ensaios e o leque de abordagens que há neste livro evidenciam que estamos perante uma obra que se presta às mais distintas investigações, exortando uma vaga de entusiasmo sobretudo em linhas do comparatismo.

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Privataria – Mariana Mortágua e Jorge Costa

A democracia portuguesa foi diminuída pelas privatizações. Sob o «desígnio» dos critérios europeus e do pagamento da dívida, eliminou-se todo um campo de possibilidades para a iniciativa pública e para uma real autodeterminação económica. Recursos estratégicos foram transformados em fonte de renda privada.

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Grécia, meu amor‏ | Maria Isabel Fidalgo

 

 

contra a lucidez das águas
as aves ominosas
os detritos fendem
nada as detém.
nem os antigos deuses
memória dos gestos luminosos
nem uma lágrima
nem uma poça de sangue.
carnívoras profanam os templos
abrem feridas
sangram as almas
rastilham a terra.
o pus alastra como gangrena
a noite vinga
o véu se adensa
nada se vê
nada se pensa.
o choro é canto e o mar é curto
a boca grita
tudo se encena.

maria isabel fidalgo

Gnaisse, de Luís Carmelo

Um professor, assediado pelos seus sonhos, perde-se entre a realidade e a obsessão. Apaixonado por uma aluna que desaparece, entra num vórtice narrativo em forma de oráculo. Quando no final surge a irmã, trazendo consigo o esboço de uma esperança, tudo se complica de novo, tendo a crise como pano de fundo. Temos de desaparecer para viver a nossa vida?

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S. Martinho do Porto – momentos

«Este livro é uma homenagem profundamente emotiva à beleza desta terra única e à memória colectiva de tantas gerações que têm passado umas às outras, como quem passa o maior dos tesouros, o mesmo amor por ela.» 

Mafalda Veiga, in Prefácio

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Hélia Correia recebe prémio Camões

O Prémio Camões 2015 foi esta quarta-feira atribuído por unanimidade à escritora , o 11.º português a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa. O prémio, no valor de cem mil euros, foi anunciado no Palácio São Clemente, sede do consulado português do Rio de Janeiro, onde esteve reunido o júri.

Fonte: Público.

heliacorreia

Procuro-te | Eugénio de Andrade

 

 

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in “As Palavras Interditas”

Leonardo Padura vence Prémio Princesa das Astúrias de Letras

O escritor cubano Leonardo Padura, editado em Portugal pela Porto Editora, vence o Prémio Princesa das Astúrias de Letras 2015, o mais importante galardão espanhol, atribuído ontem. «A sua obra é uma magnífica aventura de diálogo e liberdade», afirma o júri, que destaca o interesse genuíno do autor em «ouvir as vozes das gentes e as suas histórias perdidas».

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ARRANHA-CÉUS | Soledade Martinho Costa

 

 

Há um silêncio de ave à nossa volta
A marcar a cadência aos nossos passos.

Faz-nos falta uma flor
Que os troncos mortos
São vontades ausentes
E a força
Que nos faz chorar de pena
Verdes copas.

Junto de nós
Nos olhos do menino sem jardim
Uma tristeza azul
Que nos importa.

E o peso de uma culpa
Que não temos
Carrega os nossos ombros
Mesmo assim.

Soledade Martinho Costa

Do livro “A Palavra Nua”
Ed. Vela Branca