2010 – Ano de boa cepa

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Se é voz corrente que tudo piora em Portugal, podemos alegrar-nos porque na Literatura 2010 foi um ano bom – tirando a morte de José Saramago que, no entanto, ficará imortalizado nos seus livros, na sua Fundação, na sua querida Pilar e no maravilhoso filme de Miguel Gonçalves Mendes. Houve a ascensão de Gonçalo M. Tavares, com a sua produção profícua, belíssima, inovadora, com uma qualidade tão unanimemente reconhecida que já é muitas vezes referido como o próximo Nobel português da literatura. E houve ainda vários autores já reconhecidos a publicarem de novo, como foi o caso de António Lobo Antunes, José Eduardo Agualusa, Helena Marques, Hélia Correia, entre outros.

Do ponto de vista da tradução, foi também um ano bom. Apesar de continuar a não haver crítica de tradução, a qualidade das traduções publicadas tem melhorado consideravelmente. Fomos aliás brindados com traduções de tradutores consagrados em Portugal, como é o caso de Salvato Telles de Menezes (As Aventuras de Augie March de Saul Bellow), Margarida Vale de Gato (A Viagem dos Inocentes de Mark Twain), Margarida Periquito (O Apogeu de Miss Jean Brodie de Muriel Spark), Aires Graça (Tudo o que eu tenho trago comigo, de Herta Müller), entre muitos outros. É sabido de qualquer lista nunca é exaustiva e é sempre injusta. Por isso, ressalte-se que se trata apenas de alguns exemplos.

Por último há a salientar mais uma vez o caso único da Ahab, cujos livros são do melhor que há: agradáveis à vista e com traduções sempre impecáveis.

Seguindo esta tendência, 2011 só pode ser melhor. Desde que haja dinheiro para comprar livros.

Bom ano e boas leituras!

Maria do Carmo Figueira