“Cidades Crónicas”: um arquivo da rede.

Já não me lembro como começou, nem sei por que terá acabado. Há muito que desejava falar neste caso, mas o pudor sacudia-me sempre o gesto. Com inusitada força. Tudo porque também andei envolvido, de corpo inteiro, na saga. Teve vida curta, apenas de Fevereiro de 2006 a Abril 2007. Milton Ribeiro, da sua Porto Alegre gaúcha, foi o mestre de cerimónias e o grande inspirador. Foi ele que alimentou a parada, ao longo dos catorze e densos meses de vida do projecto. A ideia era simples: cada escritor falava de uma cidade. A 28 de Fevereiro, foi Nelson Sáute, olha quem, que deu o tiro de partida. Assim – “ Eu estava ali na esquina entre as avenidas Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral, no coração de Maputo, alheio ao tumulto do trânsito, àquela hora da tarde, engraxando meus sapatos…”. O site chamava-se, muito denotativamente, “Cidades Crónicas” (http://www.verbeat.org/blogs/cidadescronicas/) e é um desses arquivos da rede que vale a pena percorrer. Colocando-me de lado no rol – se quiserem ver tudo, vão ao site que continua fresquinho e online! –, eis os participantes: Milton Ribeiro, Porto Alegre / Brasil; Nelson Saúte, Maputo / Moçambique; Fal Vitiello Azevedo, São Paulo / Brasil; Claudia Letti, Rio de Janeiro / Brasil; Fernando Monteiro, Recife / Brasil, Luís Graça, Lisboa / Portugal e Manuel Jorge Marmelo, Porto / Portugal. A instantaneidade e a obsessiva actualização são apenas uma parte da rede. Com o passar dos anos, serão os arquivos a brindar ao gosto, à saúde e – há-de acontecer em muitos casos – ao mercado. Não acreditam?

LC