Mini-entrevista à escritora Sônia Coutinho*

Créditos de imagem: http://cemanosdeitabuna.ning.com.

PERGUNTA1: No mundo tecnológico e instantanista em que vivemos, crê que a literatura, tal como a aprendemos a significar pelo menos desde o Iluminismo, ainda tem sentido?

RESPOSTA: As formas podem mudar, mas a literatura continuará a ter sentido para além de todos os questionamentos, porque é uma das coisas que nos tornam o que somos: humanos.

PERGUNTA2: Qual foi o último acontecimento literário, independentemente da sua natureza, que mais lhe tocou. Porquê?

RESPOSTA: No início dos anos 2000 estive às voltas com um grave problema de saúde e isto me levou a parar de ler literatura. O grande acontecimento literário foi voltar à leitura, após recuperada.

PERGUNTA3: Fale-nos resumidamente do seu último livro, como se estivesse a revê-lo em voz alta para um grupo de amigos.

RESPOSTA: Não gosto muito de falar do que escrevo e dificilmente descreveria algum trabalho meu para um grupo de amigos. Mas cito aqui, sobre meu livro mais recente, o volume de contos “Ovelha negra e amiga loura”, uma frase do poeta Carlito Azevedo: “embora corrosivo, é um livro que estimula para a vida”.

PERGUNTA4: Pensa que a literatura e a rede poderão vir a ter, de algum modo, um destino comum?

RESPOSTA: Já experimentam esse destino comum. A “geração do blog”, no Brasil, começou a escrever literatura na rede e isto continua. Através da rede vem sendo feita aqui, mais do que pela imprensa escrita, a divulgação de livros e autores. E estamos observando uma já bem perceptível entrada do livro digital.

PERGUNTA5: Refira dois autores e duas obras que o tenham marcado, em sua carreira.

RESPOSTA: Clarice Lispector, “A hora da estrela.” Marguerite Duras, “Le ravissement de Lol V. Stein.”

*Sônia Coutinho (Itabuna, Bahia) é escritora, jornalista e tradutora. em onze livros publicados e traduziu três dezenas. Entre as suas obras mais conhecidas, estão O último verão de Copacabana, Atire em Sofia, Os seios de Pandora, Uma certa felicidade e O Jogo de Ifá. Conquistou por duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura (em 1979 e 1999).

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