Incontidos mares | Blog de Teresa Sande

Um blog a visitar… da Teresa Sande 🙂

“Há palavras que nascem assim. Com o infinito desejo de serem escritas. Como ínfimas gotas que, ainda nas nuvens, almejam ser já o mar. Inquieto. Incontido.”

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Só

foi na penumbra das horas que partiste. as sombras acolheram-te,
perseguiste a quase noite, no encalço dos braços magnéticos da lua.
escolheste seguir os passos do mar, onde a lua se afoga, todas as noites,
desde a imemorabilidade do tempo.
falaste com as ondas, contaste-lhes da luz que te chamava.
e por um instante hesitaste, quando o mar murmurou o meu nome.

pressenti as palavras que já não podias, não querias dizer.
na crescente escuridão das horas tinham desmaiado os teus olhos,
girassóis ansiando pelo sol. e os meus, aflitos, devolviam a chama
com medo de que a morte os levasse.
mas a minha luz era já um ocaso. e eu não sabia.

queria ter-te falado do mar, ao ouvido, como se conta um segredo.
haveria um rasto de sal nas palavras que te diria e na tua pele
guardarias restos de espuma e das estrelas que só respiram no mar.
queria ter-te dito que o sol também se afoga , todos os dias,
desde a imemorabilidade do tempo,
nesse mar que te murmura o meu nome.
e que nas suas águas o fogo permanece aceso para sempre.
fosse eu agora o mar, só para incendiar o que ficou de nós.