Levantou-se, pegou as roupas e foi até a sala. Evitava qualquer ruído, não queria se prender a ninguém. Nem mesmo o brilho que viu nos próprios olhos refletidos no teto seria suficiente para mudar o destino. Talvez se a tivesse conhecido antes… Uma fatia de luz atravessava o vão deixado entre a porta e a soleira. O ruído de motores e buzinas diziam de um mundo que o aguardava. Não deixou a incerteza tomar vulto. No centro da porta, entre uma farmácia e uma padaria, apareceu um homem com roupas amarrotadas e cabelos desajeitados. Do outro lado, por ironia, um painel enorme dizia dos riscos do sexo. Deu com os ombros no vazio. Em certos momentos, toda ação torna-se suicida, sabia disso. Entrou na padaria à procura de café. Nenhum antibiótico adiantaria para o maldito vírus. Pagou com o dinheiro que a mulher havia deixado sobre a mesa. Riu da perda dos valores morais.
(continua)
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